A valorização do dólar frente ao real no primeiro trimestre do ano teve forte efeito sobre os resultados financeiros da Usiminas, líder no mercado brasileiro de aços planos. A companhia registrou prejuízo de R$ 235 milhões de janeiro a março, equivalente ao dobro das perdas apuradas nos últimos três meses do ano passado (de R$ 117 milhões). O balanço do primeiro trimestre de 2014 havia marcado lucro líquido de R$ 222 milhões. Com a dificuldade de atuar sobre os indicadores impactados pelo câmbio, para tentar reverter o balanço negativo, a siderúrgica pretende elevar as exportações nos próximos meses junto a clientes dos Estados Unidos e da Europa, além de intensificar os cortes de custos administrativos e nas suas operações, informou o presidente da companhia, Rômel Erwin de Souza.
“Vamos buscar mais mercados no exterior, com atenção especial àquelas regiões que nos dão margens melhores, sem descuidar do consumo interno”, afirmou o executivo. A despeito do desaquecimento da economia, e, sobretudo, da produção industrial que alimenta o comércio de produtos siderúrgicos, as vendas da Usiminas mostraram uma certa estabilidade no comparativo com o quarto trimestre de 2014, ao somarem 1,256 milhão de toneladas (foram de 1,247 milhão de toneladas de outubro a dezembro do ano passado).
As vendas se sustentaram pelo aumento da participação da siderúrgica na demanda no Brasil, com o deslocamento de concorrentes estrangeiros. Elas representavam 88% do total de janeiro a março, quando no quarto trimestre de 2014 haviam alcançado 81%. O desempenho melhor foi na contramão da projeção do Instituto Aço Brasil, de redução de 7,8% na demanda por aço no país (no caso de aços planos a projeção é diminuição de 6%). De acordo com o presidente da siderúrgica mineira, a estratégia foi levar a empresa a se aproveitar da exposição desfavorável dos importados à recente alta do câmbio A companhia tem trabalhado melhor, ainda, na oferta de serviços aos seus clientes.
No comparativo com igual período do ano passado, no entanto, as vendas tiveram queda de 12,6% no primeiro trimestre de 2015. “O que podemos afirmar é que, para o segundo trimestre, teremos queda no patamar de vendas para o mercado interno e alta nas exportações”, afirma Rômel Erwin. Apesar das perdas trimestrais, as margens tiveram melhora frente ao quarto trimestre, medidas pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), com alta de 26% no período analisado, totalizando R$ 380 milhões. Em relação aos três primeiros meses de 2014, houve queda de 42%.
A oscilação do dólar, que, segundo a companhia, foi de quase 21%, pressionou as despesas financeiras, prejudicando o resultado, e teve forte efeito sobre o endividamento, uma vez que 40% dos compromissos da empresa eram cobrados em moeda estrangeira. A dívida líquida, que no quarto trimestre de 2014 era de R$ 3,85 bilhões, subiu 17,61%, e alcançou R$ 4,528 bilhões nos primeiros três meses deste ano. No comparativo com o primeiro trimestre do ano passado, a alta foi de 20,94%.
Os investimentos totais da companhia somaram R$ 232 milhões, queda de 32% no comparativo com o quarto trimestre. A empresa afirma que os projetos iniciados em anos anteriores foram mantidos, não há paralisia. Ao todo, 85% do valor investido refere-se à unidade de siderurgia. O restante é dividido entre mineração (11%) e outros negócios (4%).
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Dólar alto derruba balanço da Usiminas
Empresa registrou prejuízo de R$ 235 milhões no primeiro trimestre e busca exportar mais para reverter as perdas
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