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Estado de Minas

Poupança fica bem mais magra em março

Brasileiros sacaram R$ 11,4 bi além do valor que depositaram, no mês passado. Resultado foi o pior dos últimos 20 anos


postado em 08/04/2015 06:00 / atualizado em 08/04/2015 07:46

O endividamento das famílias bateu às portas da mais tradicional aplicação do país. A caderneta de poupança ficou bem mais magra neste ano. De acordo com relatório divulgado, ontem, pelo Banco Central (BC), em março, os saques superaram os depósitos em R$ 11,438 bilhões. O resultado foi o pior para o mês desde 1995, que marcou o início da série histórica da pesquisa. Os depósitos na caderneta somaram R$ 159,7 bilhões, enquanto os resgates ficaram em R$ 171,1 bilhões.

Março foi o terceiro mês consecutivo de retirada líquida de recursos da poupança. Em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 5,52 bilhões e, em fevereiro, em R$ 6,26 bilhões. Com isso, no primeiro trimestre, o desfalque acumulado ficou ainda maior: foram retirados R$ 23,23 bilhões além do que foi aplicado no período. Para se ter ideia, o montante, também recorde para os três primeiros meses do ano, representa quase a totalidade da captação líquida (esse movimento de retiradas acima dos depósitos) registrada em todo o ano passado. Em 2014, os saques superaram as aplicações da poupança em R$ 24,033 bilhões.

O especialista em finanças Paulo Vieira observa que a maior parte do dinheiro retirado da caderneta de poupança tem sido direcionada para o pagamento de dívidas. “É um reflexo da situação do país”, afirma. Ele observa que o aumento da inflação, a alta dos juros (que impacta nos financiamentos) e o desemprego acabam pressionando os orçamentos. “Com o endividamento, as famílias queimam suas reservas”, justifica.

Aqueles que ainda não estão no aperto também podem estar optando por retirar o dinheiro da poupança e direcioná-lo para outras aplicações, com maior rentabilidade. Nessa lista, podem estar o dólar, que disparou e teve alta de mais de 17% nos últimos três meses; fundos de renda fixa e DI; além de títulos do governo. O rendimento da poupança ficou em apenas 0,63% em março, mas muitas famílias ainda escolhem a caderneta pela segurança e pela possibilidade de retirar o dinheiro a qualquer momento, sem muita burocracia.

De acordo com o relatório do Banco Central, março também foi o terceiro mês consecutivo com recuo no saldo das aplicações da poupança. O montante ficou em R$ 650,3 bilhões. Em fevereiro, o saldo estava em R$ 658, 2 bilhões. E, em janeiro, ficou em R$ 660,8 bilhões.

Na opinião de Paulo Vieira, a situação tende a se agravar nos próximos meses. Isso porque não haverá nenhuma fonte de renda extra para as famílias, como o pagamento do 13º salário, que poderia ajudar a recompôr os depósitos na poupança. E o quadro do desemprego pode se agravar. “Esse tipo de situação é preocupante porque o dinheiro da caderneta também é direcionado para financiamentos, como o habitacional e o crédito rural. O crédito para essas áreas pode ser comprometido”, observa o especialista.

Estabilidade na Bovespa

Depois de três dias de altas consecutivas, o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou o pregão de ontem com leve queda, de 0,02%, aos 53.737. As maiores variações foram das ações da Vale, que registraram expansão de 3,28% (PNA) e 4,8% (ON). A Petrobras também teve alta de 2,36% (ON). Já o câmbio, apesar de ter iniciado o dia com movimento de queda, acabou a tarde cotado a R$ 3,134. A valorização foi de 0,38%.


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