
Diante do aperto no bolso do consumidor, os salões de beleza terão que enfrentar também outro revés, o do câmbio. Como vários produtos são importados, não haverá saída. Pessimista, a indústria já prevê que a medida provoque queda nas vendas. De acordo com projeção da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmésticos (Abihpec), a redução será de 17%.
O Decreto 8.393 faz parte do ajuste fiscal que prevê o corte de gastos e aumento de impostos. A medida estabelece que o IPI passe a incidir não apenas sobre a industrialização do produto, como ocorre hoje, mas também sobre a distribuição, que inclui os custos indiretos de inserção do produto no mercado. A medida vale a partir de maio. “Ele contraria a própria definição do IPI, que é sobre produtos industrializados, mas agora também envolve outras áreas de negócios do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o que não tem sentido algum”, critica a Abihpec, por meio de nota.

Em Belo Horizonte, os serviços pessoais, que incluem gastos com cabeleireiro e manicure, registraram alta de 9,16% em 12 meses até fevereiro. A inflação do segmento superou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, no período, fechou em 6,64%. Com o impacto da mudança na tributação, um esmalte que custa R$ 7 vai ter alta de R$ 0,86. Um perfume de R$ 80 passará a custar R$ 86,6 e a tintura de cabelo, que sai hoje a R$ 15, será reajustada para R$ 16,86.
Sócia do salão Água Marinha, no Funcionários, Márcia Batista diz que a inflação dos produtos nacionais pressionam os custos desde o segundo semestre de 2014. Segundo ela, no próximo mês, o salão deve aplicar seu reajuste anual para os serviços entre 12% e 15%.
