Marcelo Gasparino, representante dos acionistas minoritários da Usiminas, foi eleito ontem presidente do Conselho de Administração da siderúrgica, em substituição a Paulo Penido, representante da acionista controladora Nippon Steel. A Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que começou às 16h e terminou por volta das 21h, abre novo capítulo da disputa de poder entre a japonesa Nippon Steel & Sumitomo e sua sócia ítalo-argentina Ternium/Techint. O conflito se dá na Justiça e foi parar também na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A despeito da troca de comando do Conselho de Administração, permanecem as expectativas sobre o futuro da companhia, em razão da disputa judicial entre os acionistas, que poderá ter prosseguimento nos tribunais de Minas Gerais ainda neste mês. Na opinião do analista Pedro Galdi, da empresa de consultoria Independent Research, é preocupante a falta de entendimento em um ano de prognósticos ruins para a cadeia do aço, com desaceleração na indústria automotiva e da habitação. “A Usiminas pode optar pela profissionalização de sua gestão, o que seria uma boa estratégia”, comenta.
Até que o impasse se defina a projeção é de continuidade do cenário de especulação que afeta as ações da empresa. Num dia de pregão em alta na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações ordinárias da Usiminas (USIM3) sofreram queda de 4,63%, ao fecharem a R$ 17,28, enquanto o índice dos principais papéis, o Ibovespa, se valorizou 1,16% e fechou aos 53.737 pontos – maior nível desde o fim de novembro. As ações preferenciais da siderúrgica (USIM5) subiram 1%, cotadas a R$ 5,05 no fim das negociações.
VALE DO AÇO Apreensivos quanto às consequências da disputa judicial entre os acionistas da Usiminas, empresários de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, lamentam a indefinição principalmente sobre novos investimentos da siderúrgica. Além de comandar uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços na região, é graças à Usiminas e à mineradora Vale que a região participa com quase 10% de toda a produção de bens e serviços do estado, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). A companhia é, também, grande geradora de empregos e impostos, como observa o industrial Luciano Araújo, presidente da regional da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
“A região tem o seu DNA todo forjado na Usiminas. Torcemos para que essa situação se resolva o mais rápido e da melhor maneira possível para a empresa”, afirma o representante da Fiemg. O conflito societário ganha proporções mais preocupantes, na visão de Araújo, diante do cenário de desaquecimento da economia, da queda de confiança dos empresários e das dificuldades relacionadas ao aumento dos custos da produção do setor privado no Brasil.
Araújo destaca, ainda, que a atual diretoria da siderúrgica tem tentado tocar o negócio independentemente da briga dos sócios, mas não há como impedir respingos do problema sobre o plano de investimentos da companhia. Não é outra a apreensão de Luiz Henrique Alves, presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga. “O comércio não é uma ilha, mas, sim, reflete tudo o que ocorre na região”, diz. A expectativa dos empresários, segundo Alves, é de que a Ternium e a Nippon Steel não demorem para chegar a um acordo.
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Novo presidente do conselho da Usiminas é eleito
Escolha de Marcelo Gasparino, representante de minoritários, não representa o término da disputa pelo poder na siderúrgica
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