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Estado de Minas

Sindicatos se mobilizam para as dificuldades das negociações salariais ao longo do ano

Conquista de reajuste médio ficou acima da inflação nos últimos anos. Sindicatos querem garantir que aumento real médio nos salários será maior do que percentual de 2014


postado em 06/04/2015 06:00 / atualizado em 06/04/2015 07:28

Diante da desaceleração da economia e do avanço dos preços, as negociações salariais ao longo deste ano prometem ser atípicas. A questão é saber se o aumento real médio nos salários será maior, igual ou menor que o percentual de 2014. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o ganho real no ano passado foi de 1,39%, em média, acima do registrado em 2013 (1,22%). Vale lembrar que a data-base da maioria das categorias ocorre entre o próximo mês e agosto.


As convenções e os acordos coletivos em busca do reajuste nos contracheques levam em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Qualquer percentual acima do indicador é chamado de aumento real. De um lado, os sindicatos patronais tendem a seguir a linha de que o encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) prejudica a concessão de um percentual acima do INPC.

Do outro, os sindicatos dos empregados se articulam para manter as vantagens conquistadas em anos anteriores e conseguir aumento nos contracheques acima do indicador calculado pelo IBGE. As negociações levam em conta o que ocorre na economia nacional, mas dois indicadores são essenciais na composição da pauta. Um deles é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.

A equipe econômica do Palácio do Planalto não está conseguindo domar o dragão em 2015. A meta do governo era de uma inflação anual de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima, o chamado teto da meta (6,5%). Porém, no acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro, o indicador avançou 7,7%. O percentual deve avançar mais até outubro: o boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo governo, por meio do Banco Central, sinaliza que o IPCA deve encerrar o ano com alta ainda superior.

Outro indicador levado em conta nas mesas de discussões é o do desemprego. Diante da queda no consumo e na produção, empresas estão engordando a estatística. Em fevereiro, por exemplo, a taxa de desocupação no país ficou em 5,9%, acima da apurada em janeiro (5,3%) e da registrada em igual mês de 2014 (5,1%). Parte desse aumento ocorreu em razão de o homem da casa ter perdido o emprego, gerando crescimento do número de mulheres que deixaram os afazeres do lar para procurar emprego e do total de jovens que suspenderam o projeto de apenas estudar para entrar no mercado de trabalho.

O aumento no desemprego refletiu na queda do rendimento real habitual, de R$ 2.194,22 em fevereiro de 2014 para R$ 2.163,20 em igual mês de 2015. “A inflação e o mercado de trabalho são fundamentais do ponto de vista dos resultados. As dificuldades serão maiores para negociação”, avaliou José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Dieese. Ele, porém, ainda considera cedo para fazer qualquer aposta sobre qual será o percentual do aumento real médio das negociações em 2015. “O que dá para dizer é que estamos em um cenário mais difícil para negociações”, reforçou.

CRISE COMO ALIMENTO
O advogado Mauro Scheer Luís, especialista em direito empresarial e sócio do escritório Scheer & Advogados Associados, acredita que as próximas negociações tendem a ser as mais difíceis das últimas duas décadas. Para ele, podem ocorrer inúmeras greves. O bacharel destaca ainda que os pífios resultados na economia são alimentados pela crise política.

“A estratégia nas negociações, que não serão nada fáceis, é a principal arma das empresas para minimizar os prejuízos. Por isso, a matéria-prima do processo negociador é a informação, que precisa ser interpretada, analisada e transformada em comunicação expressiva para mobilizar argumentos concretos que convençam os representantes das partes. A flexibilidade dos negociadores é fundamental”, disse o advogado.

“As negociações mais difíceis são durante as crises, porque os sindicatos dos trabalhadores têm muito a pedir e os patronais têm pouco a dar. Este é um ano muito mais difícil para negociação salarial. A tendência é que muitos sindicatos patronais digam que não podem sequer entrar na questão do INPC. Lamentavelmente, é ruim para o país, mas em 2015 aumentará o número de categorias de empregados que não vão conseguir receber o INPC. Acredito que o aumento real médio não chegue a 1%”, prevê Osmani Teixeira de Abreu, presidente do Conselho de Relações de Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Experiente no assunto, a primeira negociação da qual participou foi em 1977, quando era diretor da Fiat. “Havia três cláusulas. A primeira dizia que a data-base era em outubro. A segunda informava que o aumento (salarial) era baseado no índice fixado pelo governo (naquela época, o governo fixava o índice e empregados e patrões discutiam o assunto em convenção). E a terceira destacava que os problemas seriam dirimidos pela Justiça do Trabalho. Hoje, há 98 condições na convenção coletiva. De três para 98. Isso significa que, ao longo do tempo, negociamos muito”, completou Osmani.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, João Alves de Almeida, também lamenta a situação econômica do país, mas destaca que a categoria vai trabalhar para manter as conquistas e conseguir aumento real. “Não esperamos facilidade nas negociações diante desse cenário, com ajuste fiscal e juro alto. Mas estamos trabalhando no sentido de sempre manter nossas conquistas. Desde o governo Lula, estamos tendo aumento real. No ano passado, foi de 0,38%. Vamos trabalhar para obtermos o ganho acima da inflação. Os trabalhadores, de modo geral, estão sendo bombardeados de informações, e é o momento em que as empresas se aproveitam para tentar tirar algum aproveito.”

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
 


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