Depois de um leve respiro, a indústria brasileira voltou a registrar queda em fevereiro. A produção industrial caiu 0,9% em fevereiro ante janeiro, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao mesmo mês do ano passado, a queda foi de 9,1%, o maior tombo desde julho de 2009 (10%) e o 12º consecutivo. No bimestre, a produção das fábricas acumula queda de 7,1% em relação a igual período de 2014. Em 12 meses, está em baixa de 4,5%.
As duas pausas de alta foram mais próximas da estabilidade, com avanço de 0,1% em outubro e de 0,3% em janeiro (dado revisado). Desde setembro, o recuo acumulado chega a 3,8%. Os bens de capital têm queda de 8,9%, enquanto bens intermediários caem 2%, bens de consumo semi e não duráveis têm recuo de 3,6%, e duráveis, declínio de 0,9%, em igual período.
Em fevereiro, todas as categorias avaliadas registraram queda ante janeiro em sua atividade, sendo que 11 dos 24 ramos que compõem essas categorias encolheram. A principal influência negativa foi de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 1,7%, o terceiro resultado negativo consecutivo. “A queda acumulada no setor automobilístico nos últimos três meses é de 8,9%”, calculou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.
Outros impactos sobre o total da indústria em fevereiro ante janeiro foram de produtos do fumo (-24,0%), com redução de 48,0% em seis meses consecutivos de taxas negativas, e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,2%), que eliminou a alta de 1,5% observada no mês anterior.
Entre os doze ramos que ampliaram a produção em fevereiro, os desempenhos de maior importância para a média global foram assinalados por perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (2%), indústrias extrativas (0,9%), produtos de metal (2,9%), produtos têxteis (4,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,6%) e máquinas e equipamentos (1,2%).
Nas categorias, a principal influência negativa de janeiro para fevereiro veio do setor de bens de capital (indicador de investimentos), com queda de 4,1%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o tombo é de 25,7%. O segmento de bens de consumo semi e não duráveis caiu 0,5% frente a janeiro, e 8,9% em relação a fevereiro de 2014. Já o de bens intermediários (insumos para a indústria) recuou 0,1% frente a janeiro e 4% em comparação ao mesmo período de 2014.
Cenário no início do ano preocupa
“Nesses últimos seis meses, temos claramente um saldo bem negativo para o total da indústria”, observou Macedo. “Isso significa que a gente esta num início de ano com produção menos intensa, ela está num patamar menor do que havia iniciado o ano de 2014. E esse comportamento é bastante disseminado”, acrescentou o técnico do IBGE.
O patamar da indústria brasileira atualmente está 10% inferior a junho de 2013. “Temos claramente uma trajetória descendente da produção industrial”, afirma Macedo. “Independentemente de fatores pontuais (greve dos caminhoneiros, carnaval etc.), há uma produção mostrando queda acentuada. O que chama a atenção é o perfil bem disseminado da queda no início deste ano”, acrescenta o técnico do IBGE.
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Produção tem maior retração desde 2009
Ritmo das fábricas em fevereiro recua 0,9% em relação a janeiro e tem tombo de 9,1% sobre o mesmo mês de 2014
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