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Estado de Minas

Contrabando tira do Brasil mais de R$ 30 bilhões em impostos

Estudo estima um movimento de cerca de R$ 100 bilhões ao ano em produtos contrabandeados como cigarros, eletrônicos, informática, medicamentos, entre outros


postado em 03/03/2015 11:45 / atualizado em 03/03/2015 12:17

Cigarro fica no topo do ranking, representado 67.44% das apreensões de carga ilegal, o equivalente a R$ 6,4 bilhões entre perdas da indústria e não tributação, sendo que R$ 4,5 bilhões correspondem aos tributos que o governo deixa de arrecadar(foto: Francelle Marzano/EM/D.A/Press)
Cigarro fica no topo do ranking, representado 67.44% das apreensões de carga ilegal, o equivalente a R$ 6,4 bilhões entre perdas da indústria e não tributação, sendo que R$ 4,5 bilhões correspondem aos tributos que o governo deixa de arrecadar (foto: Francelle Marzano/EM/D.A/Press)

Foz do Iguaçu
- Você sabe o custo do contrabando no Brasil? A pergunta foi respondida nesta terça-feira pelo Instituto de Desenvolvimento econômico e Social de Fronteiras (IDESF) que estima um movimento de cerca de R$ 100 bilhões ao ano em produtos contrabandeados como cigarros, eletrônicos, informática, medicamentos, entre outros. De acordo com o superintendente da Receita Federal, Luiz Bernardi, o Brasil deixa de arrecadar anualmente mais de R$ 30 bilhões em impostos, por conta do contrabando.

Segundo informações Ministério Público Federal de Foz do Iguaçu, somente entre 5% e 10% das mercadorias contrabandeadas que entram no Brasil são apreendidas. De acordo com estudo do IDESF, divulgado nesta manhã em uma coletiva na sede da Receita Federal em Foz do Iguaçu, no Paraná, no Dia Internacional do Contrabando, São Paulo é o estado que mais recebe mercadorias contrabandeadas da Cidad del Este, no Paraguai.

O estudo delimitou apenas a fronteira entre Cidade del Este e Foz do Iguaçu e utilizou como referência as apreensões de produtos contrabandeados entre junho de 2014 e janeiro de 2015. A maior parte das mercadorias contrabandeadas apreendidas se divide em 10 grandes grupos: Cigarros, eletrônicos, informática, vestuário, perfumes, relógios, brinquedos, óculos, medicamentos e bebidas.

O cigarro fica no topo do ranking, representado 67.44% das apreensões de carga ilegal, o equivalente a R$ 6,4 bilhões entre perdas da indústria e não tributação, sendo que R$ 4,5 bilhões correspondem aos tributos que o governo deixa de arrecadar. Em segundo lugar no ranking estão os produtos eletrônicos, com 15,42% das apreensões, seguidos por informática, 5,04%, vestuário, 3,03%, perfumes, 2,45%, relógios, 2,03%, brinquedos, 1,89%, óculos, 1,5%, medicamentos, 0,85% e bebidas, 0,35%.

O estado do Paraná é responsável pelo maior número de apreensões de cargas de cigarro, 62,52%. Em seguida aparecem Mato Grosso do Sul, com 14,47% e São Paulo 7,35%. Minas Gerais é responsável por apenas 2,7% dessas apreensões. Segundo o levantamento, aproximadamente 15 mil pessoas estão envolvidas diretamente com o contrabando apenas na região de Foz do Iguaçu. A média salarial mensal desse pessoal é de R$ 985,00, valor simbólico, se consideradas as condições de trabalho e o risco que estes supõem. Os altos salários se concentram nas mãos de menos de 2% dessa população ilegalmente ativa.

Para o economista e presidente do Idesf, Luciano Stremel Barros, além das perdas estimadas na economia brasileira, o contrabando traz ainda problemas agregados como violência, exploração do trabalho humano, perda de empregos, entre outros. “Este não é um estudo conclusivo, é inicial e tem o intuito de provocar e alertar sociedade, poderes públicos e governos para um problema social grave”, afirma.


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