(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Aposta do Banco Central agora é no baixo crescimento

Ata do Copom sugere que controle da inflação virá como benefício da estagnação econômica e da inadimplência


postado em 12/09/2014 06:00 / atualizado em 12/09/2014 07:19

O presidente do BC, Alexandre Tombini, destacou ontem a importância da mudança das regras dos compulsórios (foto: Antonio Cruz/Agência Brasil )
O presidente do BC, Alexandre Tombini, destacou ontem a importância da mudança das regras dos compulsórios (foto: Antonio Cruz/Agência Brasil )
Brasília – O ano de 2014 tem sido de ironias para a economia. A mais recente delas é que o frágil crescimento econômico, apesar de ruim para o país, é a mais nova aposta do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, para conter a escalada dos preços. Sob risco de descumprir a meta de inflação, de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo, ele aposta todas as fichas em que a recessão ajudará no controle do custo de vida. O raciocínio de Tombini e de sua equipe de diretores que integram o Comitê de Política Monetária (Copom) ampara-se na ideia de que, com a indústria em recessão e as vendas do varejo encolhendo mês a mês, os consumidores, já atolados em financiamentos, ficarão ainda mais receosos em contrair novas dívidas. Ao reduzirem as compras, reitera o órgão, eles jogarão uma pá de cal sobre a intenção dos empresários de reajustar preços.

A esse processo o BC deu o pomposo nome de "realinhamento das taxas de crescimento da absorção interna", o que, na verdade, quer dizer que projeta um equilíbrio maior entre o consumo mais fraco das famílias e a oferta ainda limitada de produtos e serviços pelas empresas. "Nesse contexto", observou a ata da última reunião do Copom, divulgada ontem, "é plausível afirmar" que, mantidas as condições atuais (da economia), a inflação tende a entrar em "trajetória de convergência" para o centro da meta, a partir do segundo trimestre de 2016.

Não quer dizer que tudo esteja sob controle. Ainda estão no documento expressões como "certa persistência da inflação", ou outras mais diretas, que apontam que a carestia ainda se encontra "elevada". Entretanto, conforme lembrou o economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, o Copom retirou do documento o termo "resistência" para indicar o comportamento da inflação. Um detalhe: a expressão constava em atas desde janeiro de 2013. "Ao nosso ver", escreveu Barros, em análise a clientes, "a despeito do nível ainda elevado da inflação, já se observa alguma moderação nos indicadores (de custo de vida)", disse.

NA MESMA É por mostrar preocupação com os preços elevados que o BC indicou, pela segunda vez, que seus cenários não contemplam a "redução no instrumento de política monetária". Traduzindo: a taxa Selic, atualmente em 11% ao ano, deverá ficar onde está. Porém, como de costume, a autoridade monetária não indicou por quanto tempo durará essa trégua nos juros, o que levou a uma divisão no mercado.

Uma ala mais radical aposta que já partir de janeiro de 2015 o BC poderá lançar mão de uma queda nos juros, se os resultados da economia ainda continuarem decepcionantes como os atuais. O que poderá pesar para essa queda da Selic, reforçam esses economistas, será uma desaceleração ainda mais forte do consumo das famílias e "outros limitadores do crescimento", como a renda das famílias e a expansão moderada do crédito, conforme apontou o próprio BC, na ata.

O economista-chefe para a América Latina do banco americano Goldman Sachs, Alberto Ramos, discorda dessa avaliação. "Acreditamos que a melhor contribuição que o Banco Central possa dar para o crescimento elevado, equilibrado, sustentável e de alta qualidade da economia não é cortar as taxas de juros de forma prematura, como, aliás, já foi feito antes", assinalou. Para ele, é mais importante que o BC foque em sua principal missão, "que é entregar uma inflação baixa e estável", emendou.

É por entender que a inflação ainda está bastante pressionada que boa parte dos economistas ainda aposta na manutenção dos juros em 11% ao ano até o fim de 2015. Estão nesse barco os departamentos econômicos de instituições como Itaú e Bradesco. Para o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostago, é hora de cautela. "Com inflação não se brinca e, dado o passado recente de preços bastante elevados no país, todo cuidado é pouco", sintetizou.

 

Tombini minimiza vendas fracas

 

Brasília – Apesar de a procura por crédito ainda estar tímida depois do anúncio de dois pacotes de flexibilização de compulsórios anunciados pelo Banco Central (BC), que injetou R$ 70 bilhões na economia, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, tentou contemporizar a falta de eficiência das medidas.

Durante o evento comemorativo dos 15 anos do Sistema de Informação de Crédito (SCR), afirmou que "as últimas medidas macroprudenciais da autoridade monetária — liberação de compulsórios — estão surtindo efeito e estimulando o crédito, sobretudo de veículos". O último balanço da Anfavea, associação que reúne fabricantes de veículos, no entanto, mostrou queda nas vendas de 17,2% em agosto, em relação com o mesmo mês de 2013, e de 7,6% em relação a julho.

Alheio aos números do crédito, Tombini anunciou medidas para reduzir os custos financeiros e aprimorar o sistema de informação para cidadãos e bancos. O Banco Central revogou obrigatoriedade de alguns documentos e tornou mais eficientes o SCR e o Otimiza BC. "Os sistemas interagem, tornando os processos mais eficientes e menos onerosos, sem que haja perda de qualquer informação relevante", afirmou. Além disso, ontem mesmo foi disponibilizada na internet uma ferramenta de informações sobre o mercado financeiro, que deve funcionar como um aperfeiçoamento do sistema "50 maiores".


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)