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Estado de Minas

Previsão para o PIB cai de novo

Boletim Focus indica agora expectativa de alta de apenas 0,48% neste ano. Na semana passada, projeção era de 0,52%


postado em 09/09/2014 06:00 / atualizado em 09/09/2014 07:24

Brasília – A queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, divulgada no fim do mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continua afetando as expectativas do mercado para o crescimento da economia este ano. Os analistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus revisaram, pela 15ª semana consecutiva, as previsões para o avanço do PIB em 2014. Desta vez, a projeção passou de 0,52% para 0,48%. Caso se confirme, será o pior desempenho desde 2009, no auge da crise financeira global, quando o país amargou uma retração de 0,3%.

O mercado, além disso, está descrente nas promessas do governo de que a inflação deve recuar. A perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 6,27% para 6,29%. “Esses resultados são fruto de uma revisão feita pelos economistas diante dos números do segundo trimestre, que vieram muito ruins. Sem contar que o cenário externo pode não nos ajudar”, observa André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

O economista da consultoria LCA César Esperandio disse que a confiança do mercado está abalada após dois trimestres seguidos de queda na produção, configurando um quadro de recessão técnica. As previsões para o terceiro trimestre, inclusive, já estão sendo jogadas para baixo, afirmou. “A indústria está em franca desaceleração e a perspectiva é de que continue assim. Importantes indicadores de confiança também estão ruins. Se investidores e consumidores não estão confiantes, consomem e investem menos, e isso influencia toda a economia”, analisou.

EFEITO ELEIÇÃO O cenário eleitoral voltou a agitar o mercado financeiro ontem. Rumores de que as próximas pesquisas de intenção e voto indicarão aumento na chance de reeleição da presidente Dilma Rousseff levaram a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) a sofrer um tombo de 2,45% — a maior queda desde 3 de fevereiro — e o dólar a subir 1,16%, alcançando R$ 2,265 para a venda.

Num dia em que apenas quatro dos 69 papéis que integram sua carteira mostraram valorização, o índice Ibovespa perdeu o limite de sustentação de 60 mil pontos (fechou em 59.162), puxado pelo forte recuo das ações da Petrobras e sob influência do fraco desempenho dos mercados internacionais. Foi o quarto pregão consecutivo de queda, o que não ocorria desde julho.

Com grandes ordens de venda de investidores estrangeiros, a estatal teve perda de 4,79% no valor das ações ordinárias e de 4,91% nas preferenciais. Desde o fim de semana, a petroleira está no centro das novas denúncias de corrupção que acabaram atingindo Marina Silva (PSB), até agora vista como a oposicionista com maior possibilidade de derrotar Dilma. Sondagens realizadas por partidos políticos teriam indicado perda de ímpeto da candidatura da ex-ministra.

No mercado de câmbio, o dólar teve a maior alta diária desde 30 de julho. A cotação da divisa foi impulsionada também pela decisão do Banco Central (BC) de reduzir o ritmo de rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares). Na sexta-feira, após o fechamento dos mercados, o BC anunciou que ofertaria até 6 mil contratos para iniciar a rolagem dos US$ 6,7 bilhões que vencem em 1º de outubro. Até o mês passado, a instituição disponibilizava até 10 mil contratos diariamente.

O clima político deve continuar ditando o comportamento da bolsa e do dólar nos próximos dias, segundo analistas. “As novas pesquisas serão atentamente observadas pelo mercado, que poderá se acalmar ou ver aumentar a volatilidade”, escreveu o estrategista Kenneth Lam, do Citi, em nota a clientes. (Com Deco Bancillon)


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