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Estado de Minas CONSUMO EMPERRA CRESCIMENTO

Inflação alta, renda comprometida e queda no ganho salarial obriga queda no ritmo de compra

Conjuntura também derruba varejo e impacta diretamente o indicador


postado em 16/08/2014 00:12 / atualizado em 16/08/2014 07:33

O carro-chefe do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos pifou. O consumo das famílias, cujo peso no desempenho da atividade econômica do país é de 62%, está em franca desaceleração este ano, afetado pela inflação alta, pela parada nos ganhos reais de salários e, sobretudo, pelo aumento dos juros, que encarece o crédito. Essa realidade ficou estampada na prévia do PIB, divulgada ontem pelo Banco Central (BC), que apresentou recuo de 1,2% no segundo trimestre.

Na avaliação do economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes, o ano está muito complicado para o consumo das famílias, particularmente em razão dos juros. “É a maior taxa desde 2009. Isso atrapalha o comércio, sobretudo as vendas de bens duráveis, que dependem de crédito”, explicou.

Em julho, a pesquisa da CNC Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda de 3,5% em relação a igual mês de 2013. O item que mais pesou foi justamente as vendas de bens duráveis, com o maior tombo na comparação anual, 13,4%, consagrando o pior patamar da série. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam também queda de 0,7% no desempenho do varejo em junho sobre maio. Se incluir o comércio de carros, a retração no período é de 3,6%.

Para o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas, o segundo trimestre foi muito fraco, porém com componentes sazonais. “Tivemos menos dias úteis por conta da Copa do Mundo. A perspectiva é que bens não duráveis, como alimentos, devolvam, até o fim do ano, a forte alta do primeiro semestre. Mesmo assim, os juros inibem o consumo”, observou.

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Investimentos

Sem o consumo das famílias para sustentar o crescimento, os investimentos poderiam ser a mola propulsora do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, no Brasil, estão mais tímidos do que nunca. A presidente Dilma Rousseff disse que deixaria o governo com uma taxa de investimentos de 24% do PIB. Não foi o que aconteceu. Está em 18,1%, o menor nível desde 2009, ano posterior à crise mundial. Com as incertezas do ano eleitoral, nada indica que o quadro vai melhorar. Pelo contrário, os índices de confiança dos empresários da indústria e do comércio desabaram em 2014.

Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) alcançou novo piso histórico. Aos 108,4 pontos, recuou 1% na comparação com o mês anterior, acumulando nove retrações seguidas. Em relação a julho de 2013, houve queda de 7%, mesmo percentual registrado no indicador de investimentos do varejo em um ano. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 3,2% em julho na comparação com junho, registrando a sétima queda seguida, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

No setor da construção civil, não é diferente. Conforme o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Rodrigues Martins, o setor se frustrou com o resultado econômico do país no primeiro semestre. “As obras para o Copa do Mundo acabaram, o Minha Casa Minha Vida praticamente atingiu a meta de construções e não há sinais de melhoria no segundo semestre”, comentou.

Agronegócio

Em meio ao baixo crescimento da economia, o agronegócio continua a registrar resultados positivos, o que que impede recessão mais profunda. Com o aumento na produção e nas exportações de grãos e de carnes, o setor se mantém competitivo, com base nos ganhos de produtividade e investimentos. Especialistas avaliam que esse processo é sustentável porque ainda há áreas que podem ser incorporadas à pecuária e à agricultura. Eles também explicam que as obras de infraestrutura em curso no país serão fundamentais para escoar o que é produzido.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio(Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, acredita que a demanda por alimentos no mundo continuará em alta e isso impulsionará os negócios do setor. “O agronegócio continuará a ter um peso importante no PIB e, para manter um crescimento sustentável, precisamos de mais acordos bilaterais com países europeus, com os Estados Unidos e a Ásia”, detalhou. (Com Antonio Temóteo)


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