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Estado de Minas AGRICULTURA

Verba de R$ 20 milhões vai amenizar a seca em Minas

BDMG vai destinar R$ 20 milhões para produtores rurais prejudicados pela estiagem. Crédito está limitado a R$ 30 mil, com juros de 5,5% ao ano e prazo máximo de 36 meses


postado em 17/07/2014 06:00 / atualizado em 17/07/2014 07:23

Lavouras de feijão tiveram duas safras castigadas pela falta de chuvas este ano (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Lavouras de feijão tiveram duas safras castigadas pela falta de chuvas este ano (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

O socorro financeiro prometido pelo governo de Minas Gerais aos produtores rurais que enfrentam prejuízos decorrentes da severa estiagem deste ano começará a ser disponibilizado na próxima semana, mas o dinheiro ainda terá de vencer a burocracia típica do mercado de crédito para chegar às lavouras e ao pasto. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) destinará R$ 20 milhões em empréstimos para recuperação das atividades agrícolas castigadas pela seca prolongada por meio da rede de cooperativas do Sicoob Central Crediminas, que mantém 343 pontos de atendimento no estado. Depois de liberados os recursos, a expectativa é de que sejam necessários cinco dias úteis até que o dinheiro esteja nas mãos dos agricultores, se não houver restrição cadastral.

O BDMG e a Crediminas devem assinar, nos próximos dias, o contrato relativo à linha de empréstimo batizada de BDMG Campo Solidário Seca. Cada produtor terá crédito limitado de R$ 30 mil, a juros fixos de 5,5% ao ano e prazo de até 36 meses para pagamento, incluindo carência máxima de 12 meses, informou ontem o gerente- geral de Micro e Pequenas Empresas da instituição financeira estadual, Rodrigo Neves. A estiagem afetou duramente a produção de grãos em Minas Gerais, em especial na região do semiárido, impondo as maiores perdas às culturas de sorgo, mamona, feijão de 1ª e 2ª safras, arroz, café e banana.

Os produtores rurais daqueles municípios que decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública – foram 80 em Minas, de acordo com o Ministério da Integração Nacional – terão prioridade na liberação dos recursos, segundo o gerente de apoio a negócios do Sicoob Central Crediminas, Sérgio Teixeira. A instituição identificou as principais demandas para a compra de insumos, recuperação de pastagens e implantação de projetos de irrigação com a meta de evitar novas perdas. “Esse crédito é destinado à melhoria dos negócios, amenizando o incidente da estiagem, e não à quitação de débitos de outros empréstimos”, afirmou Teixeira.

O acesso ao dinheiro será dado a produtores associados a uma cooperativa de crédito filiada à Credminas, que tem 81 instituições. A liberação dos recursos depende da apresentação de um relatório de vistoria prévia, devidamente assinado por profissional habilitado, para comprovar as perdas de produtividade e informar como o crédito será investido na propriedade rural. O apoio financeiro é importante, sobretudo em regiões como o semiárido mineiro, que tem sofrido nos últimos anos com níveis de precipitação pluviométrica inferiores à média histórica, observou João Ricardo Albanez, superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Recuo

A estimativa de 11,6 milhões de toneladas da safra mineira de grãos neste ano representa uma queda de 3,56%, com base no mais recente relatório, de maio, do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Verificávamos crescimento contínuo da produção desde 2010, e que acabou interrompido pela estiagem deste ano. Agora, é esperar para ver como os produtores vão se comportar nos plantios de setembro e outubro, depois do período típico de chuvas”, diz Ricardo Albanez. A perda média das lavouras de café foi a maior, de 12,7%, indicada nos dados do IBGE (veja o quadro).

Estudos feitos nas áreas cafeeiras de Minas mostram corte de 30% da produção em alguns casos, destaca Aline Veloso, coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg). O déficit hídrico comprometeu lavouras e pastagens em quase todo o estado, do Alto Paranaíba, no Sul, passando pelo Triângulo e o Norte mineiros. As pastagens do Norte de Minas perderam cerca de 25% da sua capacidade em razão da seca, o que levou a uma venda intensa de animais, recorda Ricardo Peres Demicheli, gerente regional, em Montes Claros, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).


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