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Estado de Minas

Expomontes mostra potencial do Norte de Minas e superação da seca

Meta dos organizadores é negociar, durante o evento, 11 mil animais, com destaque para nove leilões, que deverão faturar em torno de R$ 11 milhões


07/07/2014 09:49

Exposição Agropecuária de Montes Claros: evento vai até o próximo domingo
Exposição Agropecuária de Montes Claros: evento vai até o próximo domingo (foto: Danilo Evangelista/Esp. EM )

“Aqui, se saberá, de quando em quando, como se anda a economia regional”, diz uma frase escrita numa placa do Parque de Exposições de Montes Claros, por ocasião da sua inauguração, em 1957. Mas, além de servir como termômetro para medir o potencial do setor agrícola, a Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros (Expomontes), iniciada no último dia 2 e que vai até o próximo domingo, 13, é aproveitada para mostrar a superação dos produtores norte-mineiros diante das secas, que nos últimos tres anos foram mais rigorosas. A feira é organizada pela Sociedade Rural de Montes Claros, que comemora 70 anos de existência. A meta dos organizadores é negociar, durante o evento, 11 mil animais, com destaque para nove leilões, que deverão faturar em torno de R$ 11 milhões.

“Engana-se quem pensa que o evento se retrai nos tempos de crise – ao contrário. Quanto maior a dificuldade, maior a importância de promovermos essa festa. É nessa hora que a atenção do produtor passa a ser disputada e novas oportunidades são criadas, possibilitando avanços e resultados conjuntos”, afirma o diretor financeiro da Sociedade Rural de Montes Claros, José Moacir Basso. O diretor técnico da entidade, Marcos Miguel Mendes, reforça: “a exposição é a Copa do Mundo da criação pecuária. É o momento de grandes oportunidades de negócios para o homem do campo”.

Para o presidente da Sociedade Rural, Osmani Barbosa Neto, “a Expomontes é uma vitrine do agronegócio, uma oportunidade para o homem do campo mostrar o que produz”. Durante a solenidade de abertura, quarta-feira passada, ele aproveitou a presença dogovernador Alberto Pinto Coelho outras autoridades para solicitar a criação de um programa para incentivar os agricultores norte-mineiros a conservarem os recursos hídricos, o “produtor de água”.

 

Segundo Barbosa, o programa funcionaria da seguinte forma: cada produtor faria um projeto de preservação dos recursos hídricos dentro de sua propriedade: pequenas barragens, barraginhas, curvas de nível, recuperação das matas ciliares e matas de topo dos morros. Esse projeto seria apresentado aos bancos oficiais, que após analise, crédito especial de incentivo ao produtor conservacionista, com subsídio de 50% e prazo de 20 anos para pagamento da outra metade do financiamento, com cinco anos de carência e juros de 3,5% ao ano. “qualquer programa de desenvolvimento regional, deve ter a preservação e o correto uso dos recursos hídricos como fio condutor”, afirmou o atual presidente da Sociedade Rural, cujo avô, Osmani Barbosa foi umas lideranças pioneiras da atividade no campo na região.

 

A produtora Cristina Rebello, cuja família tem mais de 40 anos na seleção da raça Nelore na região, observa que, de fato, nos últimos anos, os produtores norte-mineiros foram mais castigados pela estiagem prolongada. No entanto, ela entende que as agruras da seca não podem interferir na Exposição Agropecuária de Montes Claros, que ganhou notoriedade nacional exatamente pela qualidade do rebanho da região. “A exposição é uma vitrine e uma oportunidade para que as pessoas de fora – de todo país – possam ver de perto a qualidade do gado que temos na região. Acredito que a seca não vai tirar o brilhantismo do evento”, afirma Cristina Rebello.

 

Mesmo pensamento é compartilhado pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado de Leite do Norte de Minas e diretor da Sociedade Rural, Otaviano de Souza Pires Junior. “A seca permanece, mas o homem do campo tem condições de produzir e conviver com ela”, afirma Pires Junior, que, durante a Expomontes, vai coordenar o Concurso de Gado Leiteiro. Ele salienta que um dos objetivos do concurso é mostrar o potencial da produção leiteira na região. “É tudo uma questão de uso de tecnologias. Na Nova Zelândia se produz leite no gelo e em Israel a produção leiteira ocorre praticamente no deserto. Então, no Norte de Minas, tem plenas condições de se desenvolver a atividade”, observa.

 

Ele ressalta que muitos produtores norte mineiros estão conseguindo superar as dificuldades climáticas e produzindo leite, a partir de medidas que garantem a manutenção do rebanho no período critico da estiagem, como a preparação de capineira, silagem de milho e sorgo ou pastagem rotacionada, com o uso racional de água captada em poço tubular. Segundo Otaviano, o Norte do estado alcançou uma produção diária que vai de 250 mil a 300 mil litros de leite, envolvendo cerca de 3 mil produtores.

 

No atual formato, a Exposição de Montes Claros conta com barracas padronizadas, instaladas por uma empresa terceirizada, que vendem cerveja, refrigerante, pastel e outros produtos. Não existem no interior do parque João Alencar Ataíde mais pequenas barracas de iguarias típicas como “cocada baiana” e “maçã do amor”. Mas, a organização informa que a Expomontes conta com uma feira da agricultura familiar, com a participação de 400 produtores, que vendem doces, comidas típicas e artesanato.

A Expomontes também tem uma parte dedicada à exposição de máquinas e implementos, cuja venda é facilitada com crédito liberado pelos bancos oficiais (Banco do Brasil e Banco do Nordeste), que contam com estandes na feira. O empresário Gilberto Gualter dos Santos é dono de uma revenda de tratores e implementos agrícolas, que participa da mostra há várias edições. Ele disse que aumenta suas vendas durante o período da exposição e destaca a importância do evento para divulgar o potencial do Norte de Minas. “Se por um lado a região enfrenta problemas climáticos, por outro tem terras férteis e baratas, que estão atraindo investidores de outras parte do país”, observa o empresário. Em sua opinião, outras entidades de classe deveriam somarem ao trabalho da Sociedade Rural para divulgar melhor as potencialidades da região e atrair mais investidores.

REDUÇÃO DO REBANHO

Segundo o coordenador regional do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) em Montes Claros, Túlio Pelaquim, por conta da estiagem prolongada, muitos pecuaristas norte mineiros se viram obrigados a desfazer de parte de suas criações; Por isso, nos últimos anos, houve uma redução considerável do rebanho bovino regional. Ele divulgou balanço que mostra que em junho de 2013, a região contava com 3.300 de cabeças de gado e o rebanho caiu para 2,4 milhões em abril de 2014. “Esperamos que volte a chover para que possamos recuperar o que perdemos. O Norte de Minas tem um potencial recuperador incrível”, diz Pelaquim


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