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Estado de Minas

Alta na venda de flores neste domingo de Dia das Mães chega a 35%

Flores têm conquistado a cada dia um número maior de brasileiros. Os gastos anuais têm sido recordes


postado em 11/05/2014 07:00 / atualizado em 11/05/2014 09:33

A administradora Rachel Iani diz que chega a desembolsar R$ 200 mensais para deixar a casa
A administradora Rachel Iani diz que chega a desembolsar R$ 200 mensais para deixar a casa "mais alegre" (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
A esta hora do dia, milhares de mães no Brasil estão recebendo um dos presentes mais tradicionais que se tem notícia: flores. Produto admirado até pelos faraós do Egito, de origem temperada ou tropical elas são cultivadas em todas as regiões do estado. Em jardins de colecionadores ou em propriedades rurais, a cultura se consolida como bom negócio em Minas e avança para novas áreas, ultrapassando a fronteira de tradicionais polos produtivos. Isso porque aos poucos o brasileiro está se rendendo ao consumo de vasos e flores de corte, cujo mercado cresce entre 8% e 15% a cada ano.

Vivendo pouco ou muito, as flores mudam a atmosfera da casa e levam o trunfo de ser um presente com baixíssimo risco de erro. Os gastos do brasileiro com o produto atingiram o recorde de R$ 25 por pessoa ao ano, alta de 32% frente a 2010. Neste dia das mães, melhor data para o setor, o mercado nacional movimentou R$ 150 milhões e no fim do ano o setor deve girar perto de R$ 5,5 bilhões, segundo cálculos da Hórtica Consultoria, especializada no segmento. Para o varejo, a alta esperada é de 35% nas vendas de hoje, mas na produção, o movimento chega a crescer perto dos 50%, puxando os preços.

Hoje, a casa da administradora e paisagista Rachel Iani está decorada com lírios e vasos de ciclames escolhidos com cuidado na tradicional feira de flores da avenida Bernardo Monteiro, onde ela esteve na sexta-feira. “A casa fica mais alegre com flores. Compro a cada 15 dias espécies de corte e vasos para enfeitar. Também gosto de presentear com rosas e orquídeas”, diz Rachel, que gasta cerca de R$ 200 por mês com as flores. Consumidora atenta, ela conta que na véspera do dia das mães a procura é tanta que a alta de preços assusta. “Pelas flores de corte que costumo pagar R$ 20, hoje (sexta-feira) paguei R$ 30.”

Em Minas Gerais, segundo maior produtor do país, o cultivo de flores tem força em polos tradicionais como a região de Barbacena, o Sul do estado e a Grande BH, áreas que investem na produção de flores temperadas de corte, como as rosas, e em árvores, palmeiras e mudas para jardim. O cultivo também é próspero em novos eixos, como a região de Manhuaçu, na Zona da Mata, que já se consolida como maior área do país no cultivo de flores tropicais, como o bastão-do-imperador.

Apesar da tradição aliada a um mercado consumidor promissor, o estado tem a sua produção freada pela distribuição. “Não temos espaço para comercializar flores em Minas Gerais. Só na Central de Abastecimento Municipal do Bairro São Paulo temos uma fila de espera com 30 produtores”, diz Flávio Assis, presidente da Associação dos Produtores de Flores de Minas Gerais. Nos últimos cinco anos, a demanda cresceu 30%, mas o número de fornecedores continuou o mesmo na Central, que movimenta R$ 5 milhões em negócios anualmente.

NOVO CENTRO Há aproximadamente dois anos, a Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa) constatou em pesquisa a demanda do estado, do paisagista ao grande varejo, e busca fomento para projeto de aproximadamente R$ 12 milhões em investimento, em área de 16 mil metros quadrados, onde será montado o primeiro grande centro de distribuição de flores de Minas Gerais, que terá estacionamento amplo e capacidade para acomodar 235 produtores.

“Estamos perdendo oportunidade. Minas Gerais tem capacidade para aumentar a produção, mas não tem onde comercializá-la. Flores saem de Minas, vão até São Paulo e voltam para cá”, diz Gustavo de Almeida, chefe de gabinete da Presidência da Ceasa. Ele diz que a central trabalha em duas linhas. “Seja via poder público ou iniciativa privada, o projeto deve deslanchar ainda este semestre. Já temos interessados da iniciativa privada”, adianta.

A designer gráfica Jamile Faller e seu amigo, o analista de relações internacionais, Lucas Diniz, foram comprar flores para decorar um jantar de noivado. Eles gostaram do programa e gastaram R$ 150. “Pensei que o gasto fosse chegar a R$ 250. Não achei tão caro”, comentou Jamile. Para eles, a divulgação do setor poderia ser maior. “É a primeira vez que venho à feira da Avenida Bernardo Monteiro. Não conhecia o espaço”, diz Lucas, que gostou da experiência e aproveitou para comprar flores para sua namorada.

 

Para Flávio Assis, a falta de local para comercializar as flores freia a produção no estado(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Para Flávio Assis, a falta de local para comercializar as flores freia a produção no estado (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Dos morangos para as rosas

Desde que Mário Raimundo de Melo deixou o cultivo de morangos e hortaliças em Barbacena, na Região Central do estado, para investir em rosas, estreltzias e copos-de- leite, ele dobrou sua produção. Em pouco mais de 10 anos, o que começou em meio hectare, já ocupa agora seis hectares em duas propriedades. De 4 mil unidades por mês, a produção saltou para perto de 12 mil dúzias. “Estou satisfeito. As flores têm encanto e beleza, levam alegria para quem recebe, e a maior demanda se reverte em felicidade para quem produz”, analisa o produtor, que emprega 30 funcionários nas duas fazendas.

As rosas têm preço médio anual próximo de R$ 8 a dúzia pagos ao produtor, mas no Dia das Mães o valor para o mesmo volume é de até R$ 15. “É a preferida dos brasileiros. A vermelha é o carro-chefe”, explica Raimundo. As rosas, que formam 80% de sua produção, são cultivadas em mais de 20 variedades e, para ter cores raras e da moda, atender a demanda de decoradores, Mário paga royalties para holandeses, franceses e alemães, que criam as novidades como a rosa coffee break, que tem cor de chocolate. “Vale a pena pagar para cultivá-las. Novidades são uma exigência do setor.”

Mário de Melo hoje cultiva espécies
Mário de Melo hoje cultiva espécies "que levam alegria para quem recebe" em seis hectares (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Minas Gerais conta com fatia de 13% do mercado, depois de São Paulo, que de longe é o maior produtor. “O mercado de flores no Brasil é promissor, 98% do que se cultiva no país é consumido pelo mercado interno”, informa Antônio Hélio Junqueira, sócio-proprietário da Hórtica Consultoria. “O país exporta apenas 2% do que produz.” Para o especialista, até mesmo a importação crescente, que no primeiro trimestre atingiu US$ 9,7 milhões, alta de 13% em relação ao ano passado, é positiva. “O país importa material genético, necessário para o avanço da produção.”

 


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