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Estado de Minas APAGÃO NO PLANEJAMENTO

Obras atrasadas do PAC poderiam evitar alto custo da energia e risco de racionamento

O diretor-executivo da Thymos Energia, João Carlos Mello, também vê outra falha do planejamento energético: o foco dos leilões só nas tarifas mais baixas


postado em 05/05/2014 00:12 / atualizado em 05/05/2014 07:54

Brasília – O atual caos elétrico do país é o retrato mais fiel do apagão de planejamento do governo. Apenas nos últimos dois meses, o setor precisou do socorro bilionário do Tesouro, de um empréstimo inédito por um consórcio bancário e, por fim, de um leilão emergencial de energia para reduzir a exposição das distribuidoras aos altos preços praticados no mercado de curto prazo. Esse sufoco poderia ter sido evitado ou reduzido se pelo menos os projetos de geração e transmissão de energia, previstos pelo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), não estivessem atrasados ou parados.


O descompasso das obras de usinas e de linhas de transmissão para conectar energia nova ao Sistema Interligado Nacional (SIN) não foram as únicas provas de imprevidência. Ao optar pela construção de hidrelétricas sem reservatórios, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, que ficam à mercê do clima, foi outro passo equivocado, na opinião de especialistas. Para completar, por questões eleitorais, o governo recusa-se a assumir a necessidade de um racionamento ou, pelo menos, de anunciar um programa de incentivo à redução do consumo de eletricidade.


Para o diretor na CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, sem condições de aumentar a produção, em virtude dos projetos em construção, resta agir na demanda. “O governo não quer esse ônus político, mas é a única alternativa diante do quadro que ele mesmo desenhou por falta de planejamento”, alertou. Na sua avaliação, o quadro mais dramático das obras paralisadas é o Grupo Bertin, que prometeu entregar 5 mil megawatts (MW) em térmicas em 2011 e não gerou nada até agora. “Mas há casos de quem é remunerado pela energia não gerada porque não há como injetá-la no SIN por falta de linhas de transmissão”, ressalta.

Fróes também considera a escolha das hidrelétricas sem reservatórios, conhecidas como fio d’água, um equívoco pois são suscetíveis à falta de chuvas. "Fizeram essa opção para não polemizar com ambientalistas. Mas na seca o país é obrigado a poluir a atmosfera, queimando gás e diesel das termelétricas. É um contrassenso em termos ambientais", ilustra.

O diretor-executivo da Thymos Energia, João Carlos Mello, também vê outra falha do planejamento energético: o foco dos leilões só nas tarifas mais baixas. “A geração eólica, por exemplo, pode até ser mais barata, mas depende de ventos, assim como hidrelétricas sem reservatórios dependem de chuvas. Há necessidade de apostar mais em térmicas nucleares, que têm custo reduzido, em torno de R$ 70 o MWh, contra R$ 800 o MWh das movidas a óleo”, observa. A usina nuclear Angra III é uma das obras atrasadas do PAC.

Baixa eficiência

Para a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Goret Paulo, especialista em infraestrutura, a novela do PAC é apenas um dos fatores que levam à desordem no setor elétrico. Ela alerta que reservatórios antigos estão assoreados e suas capacidades de armazenamento precisam ser reavaliadas. “Muitas usinas também já operam com menor eficiência. Isso contribuiu para a insegurança energética atual”, cita. Goret também concorda que o país carece de um plano de incentivo ao uso racional de energia. “Já temos aumentos de tarifas previstos para 2015 em razão dos esforços emergenciais que poderiam ter sido evitados. Mas se houvesse uma política de contenção no consumo, menor seria o custo para os consumidores no ano que vem”, sublinha.

Procurados pela reportagem para fazer um balanço do planejamento energético e das obras do PAC no eixo de energia, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, e o Ministério das Minas e Energia (MME) não responderam.

 


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