(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Turista vai pagar diária de até R$ 4,7 mil em BH durante a Copa

Com 80 imóveis cadastrados, site que aluga moradia por temporada oferece de quarto compartilhado a casa com seis quartos. Demanda começa a ficar aquecida na capital


postado em 29/03/2014 06:00 / atualizado em 29/03/2014 07:11

A menos de três meses do início da Copa do Mundo, a demanda pelo aluguel de temporada começa a crescer e os mineiros veem a oportunidade de ganhar uma renda extra. No entanto, o turista que deseja ganhar comodidade e conforto terá que colocar a mão no bolso. No site especializado em aluguel por temporada Airbnb, por exemplo, há mais de 80 ofertas de casas, apartamentos, suítes e quartos compartilhados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Os preços das diárias podem variar de R$ 120, em um quarto compartilhado com quatro pessoas, até R$ 4.714, para uma casa de seis quartos com TV a cabo, internet e ar-condicionado.


Em alguns casos, o proprietário prepara um pacote especial para o período e só aluga se o tempo de estadia for de 15 dias ou mais. Uma das mensalidades mais baratas encontradas no site Airbnb sai pelo valor de R$ 12 mil, por exemplo, para alugar um apartamento de quatro quartos, todo mobiliado, cozinha montada (com geladeira, fogão e micro-ondas) e banheiro, por 30 dias, na Pampulha, próximo ao estádio Mineirão, onde ocorrerão os jogos. Em meses normais, o mesmo imóvel é negociado por R$ 3 mil, aumento de 400% no valor mensal do aluguel. Se o turista estiver interessado em opcionais como TV a cabo, internet, segurança, porteiro e faxineira, o valor pode chegar a R$ 15 mil.

Já num apartamento com dois quartos com cama de casal, um banheiro, TV a cabo, internet, ar- condicionado, último andar, no Sion, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, uma das principais vias da capital, porém longe do estádio, a diária é de U$ 300, ou R$ 750. No local, a proprietária fecha pacotes com o mínimo de 15 dias, com valor total de R$ 11,2 mil. “Vou ficar na casa da minha sogra. Se for menos dias que isso não compensa”, explica a proprietária do apartamento Nathali Gasbarros.

De acordo com ela, com as diárias nesse preço ela já recebeu mais de 20 propostas de turistas de diferentes países, lembrando que Minas será a base das seleções da Argentina, do Chile e do Uruguai. “A maioria das consultas que recebemos é de americanos, argentinos, chilenos e venezuelanos, mas ainda não fechamos nada porque estamos dando prioridade a quem queira ficar o maior tempo possível”, diz Nathali.

Ao contrário de Rio de Janeiro e São Paulo, onde o aluguel por temporada é comum, especialistas afirmam que Belo Horizonte precisa buscar uma linha para definir os preços, não ficando fora da realidade, como o exorbitante aluguel de uma casa na Pampulha, próxima ao estádio, que cobra diárias de R$ 4,7 mil, chegando a custar R$ 141,1 mil por mês. “O mais recomendado é fazer uma comparação com Rio e São Paulo. Lá, eles cobram três vezes mais o valor que seria cobrado em meses normais”, afirma Anderson Santos, diretor da Alternativa Rede Invista Imobiliárias.

 Segundo ele, vários negócios estão sendo fechados agora, mas ainda é possível um novo ciclo de ofertas e negociações para a metade de abril e final de maio, quando estiver mais próximo da competição. Ele conta que já alugou entre seis e oito imovéis na Região da Pampulha por preços que variam de R$ 12 mil, num apartamento de quatro quartos, a R$ 30 mil em uma casa que acomoda até oito pessoas.

 

Aumenta o interesse de estrangeiros

 

Um estudo inédito sobre a vinda de estrangeiros para o Brasil durante a Copa do Mundo aponta que o número de pessoas que fizeram reservas para estar no país durante os dias da competição é cinco vezes maior do que no mesmo período do ano passado. A pesquisa, realizada pela empresa espanhola Forward Data (Forwardkeys®) em parceria com a Pires & Associados no Brasil, constatou também que os principais emissores internacionais serão Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. Ainda de acordo com o estudo, Belo Horizonte é a sexta cidade a receber maior número de turistas estrangeiros, atrás do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza e Recife

Além do Airbnb, outros sites como o aluguetemporada.com e booking.com, também focam o mercado brasileiro para junho e julho, quando será realizada a competição. As plataformas têm uma espécie de comunidade de locadores e locatários, onde existem avaliações sobre os serviços oferecidos e utilizados, dando nota às negociações de que participaram e serviço de mensagens. No entanto, a maior dificuldade dos estrangeiros para fechar o negócio é ter referências sobre a área, se o bairro é ou não seguro e se os meios de locomoção atendem a demanda.

Estudante universitária de Ontário, no Canadá, Veronica Rogovsky pretende viajar para o Brasil com mais três amigos e passar por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília para assistir aos jogos. Segundo ela, cada um deles espera gastar, em média, US$ 75 por pessoa, por noite. “Já encontramos alguns lugares nessa faixa de preço e outros muito mais caros, mas não sabemos se o bairro é seguro o suficiente para alugar. Então, preferimos esperar mais um pouco e pesquisar para não ficar em lugares que não seriam adequados”, afirma.

O colombiano Edgar Rincon, que nasceu em Cali, na Colômbia, mas vive na Austrália há 12 anos, vem para Belo Horizonte para assistir ao jogo da Colômbia, que se classificou pela primeira vez em 16 anos para o Mundial. Assustado com os preços, depois de pesquisar diárias de hotéis na cidade, ele pediu a uma amiga que vive em Miami (EUA), mas conhece alguns mineiros, para lhe indicar um contato na cidade. “Achei que poderia encontrar algo mais confiável e em conta se contasse com o auxílio de alguém na cidade.” Ele conta que começou procurando por hotéis, mas os preços dos estabelecimentos de duas estrelas estavam em torno de US$ 300 por noite. “Isso é impossível para mim. Ainda mais porque tenho planos de ficar no país por duas semanas”, disse.

Edgar vem ao Brasil acompanhado do pai, com quem viajou também para a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. “Lá, ficamos durante toda a competição. Os preços também estavam altos, mas os deslocamentos eram menores e menos numerosos. No Brasil as seleções jogam cada jogo em uma cidade diferente. Isso encarece ainda mais nossa viagem”, completou. (FM)


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)