
Brasília – Enquanto o mercado ainda aguarda detalhes do governo sobre o leilão emergencial de energia, previsto para 25 de abril e entrega a partir de maio, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou nessa sexta-feira que 527 projetos foram cadastrados para o leilão a ser realizado em 6 de junho. Os empreendimentos somam 16,26 mil megawatts (MW) de capacidade instalada e ainda precisam passar pela fase de habilitação. Desses, 494 são de usinas eólicas, que alcançam 12,28 mil MW.
O setor elétrico esperava que diretrizes para o leilão de energia previsto pelo pacote de socorro às concessionárias de distribuição do insumo fossem publicadas ontem pelo Ministério de Minas e Energia, com expectativa de que a venda de energia ocorra em produtos por quantidade e disponibilidade.
"Para o leilão (emergencial) ocorrer nessas condições, ele precisa de mudança de lei via medida provisória", apostou o presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite. Na sua avaliação, a mudança nas regras é necessária para permitir a venda de energia por térmicas, em contratos por disponibilidade de energia, o que não era permitido anteriormente nesse tipo de leilão.
Com a divulgação dos detalhes do leilão, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) terá ainda que votar o edital.
O tema, contudo, não está incluído na pauta da reunião semanal de terça-feira. "Mas nada impede que com a edição desses documentos na sexta-feira (ontem) possamos fazer reunião extraordinária para apreciar a questão", disse o diretor do órgão regulador, André Pepitone.
PIORA NOS RESERVATÓRIOS O anúncio de energia do leilão de junho, com energia a ser entregue em 2016, coincidiu com uma piora do cenário desenhado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para março. O órgão reduziu a estimativa do volume de chuvas de março sobre o parque hidrelétrico do Sudeste e Centro-Oeste de 67% para 63% da média histórica. A poucos dias de começar o último mês do período úmido, os principais reservatórios ainda estão em níveis baixos, próximos dos de 2001, ano do racionamento. Para piorar, a previsão de chuvas para 22 a 28 de março não são boas, sublinhou o relatório do ONS.
Enquanto há escassez de chuva no Sudeste, no Norte há manutenção do cenário que leva à cheia histórica do Rio Madeira e impede o acionamento das turbinas da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia. A estimativa de aumento da oferta de energia no sistema elétrico em março foi reduzida pelo ONS de 6,2% para 6%.
Diante dessas previsões, houve elevação dos custos de operação e da estimativa de geração termelétrica para 17.966 MW médios. Assim, o preço de energia de curto prazo previsto para a próxima semana se manteve no patamar máximo para todas as regiões do país, a R$ 822,83 o megawatt-hora (MWh), informou ontem a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
