Em outubro de 2008, no clímax da crise global, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, e o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, chamaram os outros integrantes do G-20 para uma reunião em São Paulo. Saíram dali as diretrizes para medidas anticíclicas contra a recessão mundial. O Banco Central (BC) brasileiro resistiu, mas acabou iniciando três meses mais tarde um ciclo de redução da Selic, a taxa básica de juros, que durou mais de um ano.
Nos embates dentro do governo, o resultado frequentemente fica mais próximo da proposta que Mantega apresenta. Quando foi necessário um corte orçamentário adicional no ano passado, as ministras Miriam Belchior, do Planejamento, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, queriam algo perto de zero. Mantega defendia R$ 15 bilhões. Conseguiu R$ 10 bilhões. Neste ano, buscava R$ 50 bilhões para o contingenciamento inicial. Ficou com R$ 44 bilhões.
Também venceu uma disputa com a presidente da Petrobras, Graça Foster, amiga de Dilma. Ela defendia atrelar o preço da gasolina ao valor internacional do petróleo. Ele alegou que o impacto na inflação seria excessivo. No ano passado, quando houve pressão velada do PT para que Mantega fosse substituído, Dilma ignorou. Tudo isso não impede que, mesmo no governo, Mantega seja visto às vezes como alguém fraco. Nos corredores do Planalto, alguns o chamam de imperador. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, tem um apelido mais favorável: primeiro-ministro. De fato, o economista gaúcho, escolhido pela própria presidente, decide muito. Nunca à revelia do chefe. (PSP)
