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Estado de Minas

Mantega se reúne com economistas para discutir cenário do país

Ministro classificou a reunião como um brainstorm, ouviu críticas e tentou deixar todos à vontade para apresentar seus pontos de vista


postado em 25/02/2014 06:00 / atualizado em 25/02/2014 07:25

Brasília – Na tentativa de recuperar a credibilidade do governo e da política econômica, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu ontem com parte dos principais nomes do mercado financeiro. O encontro seria oficialmente comandado pelo secretário de Política Econômica, Márcio Holland, mas do início ao fim foi Mantega quem ouviu as críticas e fez ponderações. Apenas no fim do dia os economistas apareceram na agenda do ministro, que detalhou ponto a ponto a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) e fez uma promessa pessoal: ele e a presidente Dilma Rousseff estão empenhados diretamente na missão de entregar um primário equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

A reunião ocorreu no prédio do Banco do Brasil, em São Paulo, onde estiveram presentes 16 representantes de instituições financeiras. De acordo com alguns dos participantes, que preferiram não se identificar, o ministro classificou a reunião como um brain storm, ouviu críticas e tentou deixar todos à vontade para apresentar seus pontos de vista. Para os economistas, a principal dúvida sobre a questão fiscal ficou na conta de energia, cujo tamanho da fatura a ser paga pelo governo para subsidiar as tarifas dos brasileiros ainda é incerta. Mantega teria argumentado que o clima pode mudar e colaborar, mas que não se pode tomar qualquer decisão mais séria antes de se ter uma definição em relação ao nível dos reservatórios, o que só deve ocorrer entre o fim de março e o início de abril.

Gasolina

O ministro também debateu preços administrados com os economistas, admitiu que a Petrobras opera com defasagem e teria ponderado que em função da volatilidade do dólar e de outros fatores, o aumento dos combustíveis não pode ser feito “a todo o momento”. “Ele lembrou que praticamente uma vez por ano houve reajuste dos preços praticados pela Petrobras”, explicou um participante do encontro. O ministro, no entanto, não deixou brechas sobre um possível aumento em 2014.

Os integrantes do encontro explicaram que o ministro ouviu mais do que falou, tentou justificar os efeitos da crise externa sobre o Brasil e da necessidade, no passado, de adotar medidas de estímulo à economia. Os economistas tentaram arrancar de Mantega alguma avaliação sobre política monetária, mas ele se negou a fazer a qualquer afirmação em relação ao assunto, sobretudo pela proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária, que ocorre hoje e amanhã.

Rebaixamento


“Ficou claro para a gente que o nome do jogo é Standard & Poor’s”, disse um analista. “O governo quer reverter a visão da agência e de parte dos investidores internacionais sobre o Brasil. Não está disposto a passar por um rebaixamento”, explicou o especialista, sem se identificar. Parte dos presentes avaliou ser possível chegar a meta de 1,9% do PIB de superávit primário, mas o voto de confiança está condicionado aos resultados fiscais dos próximos meses. Se vierem a contento, de acordo com o necessário para se chegar ao objetivo, o governo deve obter ganhos de credibilidade.

Nos próximos meses, Mantega deve se reunir novamente com economistas. Ficou claro para o governo e para o gabinete do ministro que sua imagem frente ao mercado financeiro era a pior possível. Dentro do PT a situação também não era boa. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva teria, inclusive, feito recomendações à Dilma para que tirasse Mantega do posto em uma tentativa de amenizar as rusgas com o mercado. Com a ação de ontem, os analistas ponderam que o governo indica que tenta antecipar parte do ajuste que se faz necessário na economia e que as previsões apontavam como possível apenas em 2015, após as eleições. “Eles perceberam que se de fato ganharem as eleições, 2015 seria um inferno para o governo. Por isso estão tentando organizar a casa”, disse um analista.


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