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Estado de Minas

Emprego industrial recua 0,2% em julho, na terceira queda consecutiva

Fábricas reduzem horas trabalhadas e faturamento cai no país. Em Minas perda de produtividade preocupa


postado em 12/09/2013 06:00 / atualizado em 12/09/2013 07:25

Setor calçadista lidera a redução dos postos de trabalho no país este ano, como reflexo da retração do consumo (foto: NANDO OLIVEIRA/ESP. EM/D. A PRESS)
Setor calçadista lidera a redução dos postos de trabalho no país este ano, como reflexo da retração do consumo (foto: NANDO OLIVEIRA/ESP. EM/D. A PRESS)

A indústria começou o segundo semestre com o pé no freio, com menos vendas e menos empregos. Pela terceira vez consecutiva, o pessoal ocupado assalariado na indústria registrou queda (-0,2%) em julho frente ao mês anterior, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A situação é pior na comparação anual, com variação negativa de 0,8% em julho, marcando o 22º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde fevereiro (-1,2%). No acumulado do ano o total do pessoal ocupado na indústria também diminuiu 0,8%. Para completar o quadro, o faturamento do setor registrou queda de 1,5% em julho, enquanto as horas trabalhadas recuaram 1,7%, segundo a Confederação Nacional das Indústrias. Para o IBGE, as horas pagas recuaram 0,3% em julho.

Em Minas Gerais, mesmo com o faturamento registrando alta de 1,36% em julho com relação ao mês anterior, a indústria mostra desaquecimento com recuo de 0,23% no emprego industrial e de 1,9% nas horas trabalhadas, segundo informou ontem a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “A indústria não está em curva de crescimento crescente, ao mesmo tempo que aumenta a massa salarial”, afirma Lincol Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg. Ele avalia que o segundo semestre tende a ser atípico para a indústria mineira, com crescimento abaixo do primeiro. A expectativa é fechar o ano com aumento de 1,7% na produção, em relação a 2012.

“O momento é de preocupação com a conjuntura internacional desfavorável e ambiente fiscal ruim. O ambiente de negócios não está otimista”, diz Fernandes. De janeiro a julho deste ano a massa salarial da indústria cresceu 5,24% em Minas, na comparação com 2012. As horas trabalhadas na produção se expandiram 5,10% e o emprego aumentou 3,14%. Segundo Fernandes, o que favoreceu o aumento do faturamento em julho foi a valorização do dólar. “O que ajudou a alavancar o setor foi o faturamento da indústria extrativa mineral, que foi favorecido pela alta cambial”, diz ele. O setor de celulose, papel e produtos de papel teve destaque nos primeiros sete meses do ano, com alta de 9,52% nos negócios. Em contrapartida, os produtos de metal apresentaram queda de 36,63% no período. “A concorrência com produtos asiáticos tem sido grande”, observa Fernandes.

Fatores O setor perde fôlego com a alta do câmbio, a pressão inflacionária, a situação das famílias (endividamento, restrição ao crédito e comprometimento da renda), a elevação dos juros e as incertezas do cenário internacional. As fábricas têm feito paradas estratégicas em todo o país, o que leva a ajustes no quadro de funcionários. Quem não começou a demitir tem contratado menos. Na última década, o total de operários na indústria moveleira de José Alves, há 24 anos no ramo, diminuiu de 400 para 150, queda de 62%. “Estamos sem capacidade de investimento”, lamenta.

Os setores que mais demitiram (13 entre os 18 pesquisados) no país, esse ano, foram calçados e couro (-5,4%), madeira (-5,1%), têxtil e vestuários (-3,7%) e refino de petróleo e álcool (-2,7%). O reduzido dinamismo no emprego, no entanto, contrasta com o crescimento do valor real da folha de pagamentos, de 0,4% frente a junho, e de 3,4%, no confronto com julho de 2012 – pela 43ª vez. No confronto com julho do ano passado, o emprego recuou com mais força na Região Nordeste (-4,3%), ao contrário de Santa Catarina, que registrou avanço de 1,3%. No acumulado do ano, também o Nordeste foi o mais prejudicado (-4,3%), enquanto Santa Catarina cresceu 1%.

Encomendas em baixa

Na hora de contratar, as indústrias mineiras estão segurando a abertura de vagas. O mês de setembro era tradicionalmente marcado pelo aumento no número de funcionários nas fábricas, que se preparam para as entregas de Natal. Mas as encomendas em baixa levam os empresários a recuar nas contratações. “O setor deu uma pisada no freio nas contratações. Houve queda nas encomendas, na comparação com 2012”, afirma Jânio Gomes, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado de Minas Gerais (Sindicalçados-MG).

No segmento de bolsas também ouve demissões, revela Rogério Lima, presidente do Sindicato de Bolsas de Minas Gerais (Sindibolsas-MG). “As fábricas estão otimizando os custos e remanejando as pessoas. Por outro lado, há busca por profissionais mais qualificados”, afirma Rogério. A alta do dólar, diz, beneficia o setor por um lado, mas prejudica de outro. “O setor de couro depende um pouco da matéria-prima de fora e acaba aumentando um pouco o custo”, diz. Para driblar a crise, a marca Rogério Lima buscou nova alternativa no mercado: começou a vender presentes corporativos. “Em momento de crise é preciso buscar a criatividade e outras alternativas”, diz Lima.

Na indústria têxtil Colortêxtil, o quadro de funcionários está estável, informa Flávio Roscoe Nogueira, sócio da empresa. “Não estamos nem ampliando e nem demitindo”, diz. Ele reconhece que esta época do ano seria período para aumentar a contratação, o que não aconteceu. “As compras de Natal ainda não começaram a acontecer. Sentimos que vai ter atraso, pois a demanda do varejo está menor”, avalia Nogueira. (GC)


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