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Estado de Minas

Com marca única, Vallourec investe

Siderúrgica V&M muda de nome e anuncia que vai destinar R$ 90 mi para pesquisa. Parte será para sua unidade em BH


postado em 10/07/2013 06:00 / atualizado em 10/07/2013 07:27

Novo centro de desenvolvimento será inaugurado no Parque Tecnológico da UFRJ em outubro(foto: PAULO HENRIQUE LOBATO/EM/D. A PRESS)
Novo centro de desenvolvimento será inaugurado no Parque Tecnológico da UFRJ em outubro (foto: PAULO HENRIQUE LOBATO/EM/D. A PRESS)
Rio de Janeiro – A V&M do Brasil agora é Vallourec. A siderúrgica francesa anunciou ontem a mudança de sua marca no Brasil e aproveitou a solenidade, no Rio de Janeiro, para divulgar investimentos, ao longo dos próximos cinco anos, de R$ 90 milhões em pesquisas e desenvolvimento para o setor de óleo e gás, responsável por cerca de 60% de sua receita. A gorda cifra, na prática, reforça o interesse da empresa no mercado do pré-sal brasileiro. Basta lembrar que a principal cliente da francesa no país é a Petrobras, que exige de suas fornecedoras comprometimento com inovação.


A Vallourec não detalhou o cronograma dos investimentos, mas parte do recurso será aplicado no centro de pesquisas no Barreiro, em Belo Horizonte, onde funciona sua usina mais antiga, inaugurada em 1952 – sua segunda planta no estado está em Jeceaba, no Campo das Vertentes, inaugurada, há dois anos, com o nome de Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil. Trata-se de uma uma joint-venture com a japonesa Nippon Steel & Sumitomo Metals – por isso, não terá o nome alterado.

É forte a expectativa de que a maior quantia desses R$ 90 milhões seja injetada no centro de pesquisas que a empresa montou no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – a solenidade de inauguração também ocorreu ontem, mas o local só entrará em operação em outubro. Para reforçar a nova unidade, o anúncio da mudança da marca e o do aporte ocorreram durante a inauguração do futuro centro de pesquisa. Outra parcela do recurso deve ser injetada em empreendimentos voltados à pesquisa que a siderúrgica mantém fora do Brasil.

“Vamos conduzir estudos voltados ao uso de tubos com fins estruturais, à otimização do modelo energético em nossa usina siderúrgica e à aplicação de novas tecnologias para a proteção do meio ambiente. Serão cerca de 30 profissionais, entre eles 10 mestres e doutores, revezando-se entre Rio e BH, sem contar os profissionais visitantes de outros centros de pesquisas e desenvolvimento da Vallourec na Europa e Estados Unidos”, propagandeou Alexandre Lyra, diretor-geral da empresa no Brasil.

Sinergia


A decisão da empresa em montar um centro de pesquisa e desenvolvimento no Parque Tecnológico da universidade fluminense não ocorreu por acaso. Um dos motivos é a possibilidade de trabalho em sinergia com cientistas do local. Outro é a proximidade com o centro de pesquisa da Petrobras. A estatal brasileira, aliás, é a responsável pela vinda da siderúrgica ao Brasil.

Em 1952, o governo brasileiro convidou a alemã Mannesmann para abrir uma fábrica no Barreiro. A produção ajudaria na produção da futura Petrobras, que seria fundada dois anos depois. Em 2000, a Vallourec e a Mannesmann se juntaram numa joint-venture. Em 2005, a Vallourec adquiriu 100% do controle acionário, alterando o nome da Manessmann para V&M do Brasil. Desde ontem, passou a ser chamada apenas de Vallourec.

O diretor-presidente do grupo, o francês Philippe Crouzet, acredita que a marca única para todas as empresas do grupo vai reforçar a imagem da siderúrgica no mercado: “Unir as nossas diversidades para juntos sermos mais fortes e alcançarmos os objetivos de crescimento que estabelecemos para nós”. A mudança da marca no Brasil segue uma estratégia adotada pelo grupo nos Estados Unidos e na China. O mesmo deve ocorrer nos outros 18 países em que a siderúrgica francesa atua.

Impostos 

Após a solenidade, em conversa com a imprensa, Alexandre Lyra, diretor-geral da Vallourec no Brasil, avaliou que a possibilidade do governo federal em reduzir os impostos de importação do aço pode ser um tiro no pé do setor. Para conter o aumento da inflação, a União não descarta reduzir a alíquota de alguns insumos, entre eles a do aço. Para Lyra, a medida vai prejudicar o setor.

“O produto chinês (aço) sai a um preço abaixo do custo de produção (no Brasil). A eliminação do imposto de importação será um tiro no pé da indústria. Vai acelerar a desindustrialização”, avaliou o executivo.

*O repórter viajou a convite da Vallourec.

Quem vai querer dividir o pré-sal?

A União vai ficar, no mínimo, com 41,65% do petróleo a ser extraído do Campo de Libra, na Bacia de Santos, que será colocado em leilão em 21 de outubro, na primeira licitação de áreas do pré-sal, sob o regime de partilha da produção. A informação consta do edital divulgado ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Se forem considerados os demais ganhos, como tributos e pagamentos exigidos das empresas, o governo deverá ficar com pelo menos 75% da receita total com a produção do pré-sal, incluindo outros campos que ainda serão ofertados.

Somente no caso de Libra, o vencedor da disputa terá que pagar um bônus de R$ 15 bilhões, recurso que vai ajudar o governo a cumprir a meta de superávit primário nas contas públicas em 2013. O percentual de divisão do óleo, estabelecido no edital, está acima dos 40% mencionados na semana passada pela ANP. O valor de referência para o barril foi estabelecido entre US$ 100,01 e US$ 120, com produção prevista de 10 mil a 12 mil barris diários em cada poço. No conjunto, a expectativa é de produção de 1 milhão de barris por dia. A fase inicial de exploração deve durar quatro anos e poderá ser ampliada, conforme o contrato de partilha de cada bloco.

De acordo com as regras estabelecidas para o pré-sal, a Petrobras será a única operadora dos blocos, com participação mínima de 30% nos consórcios, mas sem limite, podendo chegar a 100%. Isso significa que a estatal terá de desembolsar pelo menos US$ 4,5 bilhões pelo bônus inicial de Libra. A notícia, na semana passada, derrubou as ações da companhia, que já está sobrecarregada com um bilionário plano de investimentos exigido pelo governo.

A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmou ontem em Londres que há pelo menos 30 grandes petroleiras interessadas no leilão. Ela estima que a área licitada deverá produzir 12 bilhões de barris de petróleo ao longo de 35 anos. Originalmente, a ANP estimava 16 bilhões de barris, volume praticamente igual ao nível atual das reservas brasileiras. "Trata-se de algo gigantesco, sem paralelo com qualquer coisa aberta a licitação no mundo em mais de três décadas", afirmou.

A concessão de Libra será a primeira a seguir regras que elevam o controle estatal e a presença da União nos ganhos da produção em alto mar. O edital divulgado pela ANP será colocado em consulta pública por 10 dias úteis, a contar de hoje, e prevê que o vencedor do leilão será aquele que oferecer à União o maior volume de óleo excedente — o que sobra após descontados os custos da produção.

Os interessados em participar da disputa por Libra deverão oferecer garantia financeira inicial mínima de R$ 610 milhões para o projeto básico. Em outras palavras, este é o menor valor de investimento. A primeira fase exploratória prevê a perfuração de dois poços e um teste numa área de 1.547 quilômetros quadrados. Os documentos preliminares sobre o leilão estão disponíveis na internet e uma audiência será promovida no  dia 23, no Rio de Janeiro.


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