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Estado de Minas

Mercado de luxo no Brasil fatura mais de R$ 45 bilhões em três anos

Quando os preços pouco importam: grifes investem até na criação de sapatos com ouro


postado em 07/07/2013 06:00 / atualizado em 07/07/2013 09:27

O casal Vanessa e Carlos Marra levou fotógrafa para ensaio em Buenos Aires: serviço não sai por menos de R$ 10 mil(foto: Cristina Lima/Estúdio Alexandre Cristina Lima)
O casal Vanessa e Carlos Marra levou fotógrafa para ensaio em Buenos Aires: serviço não sai por menos de R$ 10 mil (foto: Cristina Lima/Estúdio Alexandre Cristina Lima)


A estilosa foto de Vanessa e Carlos Marra foi tirada no Caminito, no Bairro La Boca, em Buenos Aires, na Argentina. O cenário foi registrado em abril, na semana do casamento de Vanessa e Carlos, que levaram a fotógrafa Cristina Lima para fazer o ensaio deles. “Escolhemos Buenos Aires porque é um lugar bonito e de que gostamos. Fui pedida em casamento lá”, afirma Vanessa. O custo do transporte, hospedagem e alimentação da fotógrafa foi pago pelos noivos, fora os gastos com o serviço realizado.

Os fotógrafos Alexandre e Cristina Lima começaram há pouco tempo a fazer fotos de clientes fora do país. Eles já acompanharam casais em lua de mel a diversos lugares, como Paris, Aruba, Veneza e Florença. A viagem internacional é paga fora do pacote de serviços de fotografia, que pode custar de R$ 10 mil a R$ 17,5 mil. O serviço de luxo faz parte de um mercado que faturou nos últimos três anos mais de R$ 45 bilhões no Brasil, segundo levantamento da consultoria Bain & Company. O estudo estima que o crescimento desse mercado será de 12% na América Latina em 2013. Grande parte do avanço deve ser impulsionado pelo Brasil, que tem ainda previsão de incremento nos negócios de 25% até 2017.

A designer Luana Jardim criou scarpin cravejado de pedras preciosas: mimo custa dobro de carro popular(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
A designer Luana Jardim criou scarpin cravejado de pedras preciosas: mimo custa dobro de carro popular (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
“O brasileiro tem um perfil consumista, diferente do europeu, que reflete um pouco mais na hora de fazer o investimento”, afirma Cristina Marinho, consultora de marketing da moda. Aqui no Brasil, diz, o consumidor com dinheiro tem a disponibilidade de pagar com prazo maior. “Ele pode comprar uma bolsa Chanel de R$ 5 mil e pagar em 10 vezes de R$ 500. O brasileiro gosta de comprar e exibir a aquisição. As pessoas só vão saber que o produto é caro se estiver com a marca aparente”, observa Cristina. O filão do luxo no Brasil acontece não só com as marcas estrangeiras. Grifes nacionais e mineiras começam a apostar no consumidor de alta renda em segmentos diversos como moda balneário, pâtisserie, aluguel de roupa de luxo e até mesmo sapato-joia, que chega a custar R$ 50 mil.

A designer mineira Luana Jardim criou há seis meses um sapato-conceito suntuoso, produzido sob encomenda. O scarpin foi desenvolvido em couro de cabra, cravejado de luminosas pedras preciosas e com ornamentos em ouro. Cada par demora cerca de três meses para ser desenvolvido e é produzido de forma manual, como se fosse peça de joia. “Entre os acessórios femininos, o sapato é a maior coqueluche. Está aliado à sensualidade, poder e muda até a postura da mulher”, afirma Luana. Tanto luxo tem um preço: cada par pode chegar a custar R$ 50 mil, o dobro do valor de um carro popular no país. “O produto é exclusivo, os modelos não são repetidos”, explica a designer. Na sua avaliação, o mercado de luxo está em franca expansão. “Mas, para a marca se estabelecer, sofre concorrência de marcas de outros países”, observa.

Manoel Bernardes, responsável pela área de desenvolvimento de produtos da joalheria Manoel Bernardes, destaca também a concorrência maior. “Grandes marcas instalaram no Brasil e disputam o mesmo cliente. O consumidor que vai comprar uma Ferrari ou um iate é o mesmo que vai adquirir um relógio de R$ 300 mil. Com oferta maior, o crescimento da marca é menor”, observa.

Olívia Borges da Costa, da mineira Solli, foca na moda balneário premium: peças exclusivas de praia(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Olívia Borges da Costa, da mineira Solli, foca na moda balneário premium: peças exclusivas de praia (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)


Aluguel de bolsa Chanel custa R$ 1 mil

O mercado de luxo deve vender não só marcas, mas também serviços. O alerta é de Cristina Marinho, consultora de marketing da moda. “É fundamental que seja explicado para o consumidor por que aquela marca é tão cara. É preciso entregar conteúdo, além do produto. E o atendimento ao consumidor deve ser diferenciado. Ele necessita de tratamento especial, quer reconhecimento de que venceu na vida”, observa Cristina.

O luxo não está atualmente aliado a grandes grifes, opina Olívia Borges da Costa, proprietária e estilista da marca mineira Solli, focada em balneário premium e peças de moda casual mais sofisticada. “O conforto hoje é o luxo. Ele não tem ligação direta com o poder aquisitivo. O acabamento e os tecidos são importantes”, opina. A sua marca produz peças exclusivas de praia, usadas para resorts e navios.

Mas quer usar uma bolsa Chanel, Prada, Miu Miu, vestido Versace ou Louis Vuitton e gastar menos? A Madre Luxury for Rent acaba de desembarcar em Belo Horizonte com a proposta de alugar vestidos e bolsas de festa de luxo. “É um mercado em falta em Belo Horizonte”, afirma Marina Perktold Dumond, proprietária da loja. Ela explica que os vestidos novos de festa de grandes marcas custam entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. “E muitas vezes ficam encostados no armário. A ideia é não deixar as roupas paradas. E as pessoas de alto luxo não gostam de repetir os modelos”, diz. O aluguel de um Versace, por exemplo, sai em média a R$ 600. Já um fim de semana com uma bolsa Chanel vale R$ 1 mil.

ATÉ DOCES
Flor de sal, água de flor de laranjeira e pérolas de licor fazem a diferença dos doces refinados da Leclante Patiserrie, inaugurada em março de 2012 em Belo Horizonte. A ideia da pâtisserie é trabalhar com doces mais refinados em eventos como casamento e bodas de ouro. E parece que o projeto deu certo. Até o final do ano, a agenda da empresa está cheia. “Há demanda crescente no mercado de luxo. E o consumo em Minas tem espaço para isso”, diz Maria Thereza Alkmin, chefe da Leclante.


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