A retomada dos leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no país superou as expectativas e bateu recordes de arrecadação. A 11ª rodada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou ontem forte disputa entre as empresas habilitadas, apurando R$ 2,8 bilhões. A estimativa inicial da ANP para as 11 bacias oferecidas era de uma arrecadação total de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões, pouco acima dos R$ 2,1 bilhões obtidos na última rodada, em 2008. O governo suspendeu os leilões devido à descoberta do pré-sal e à negociação de um novo marco regulatório para ampliar o controle estatal sobre essas reservas.
A única empresa mineira a participar do leilão foi a Cowan Petróleo e Gás, que, em consórcio com a Petrobras, levou seis blocos, três na Bacia Tucano do Sul, na Bahia, e três na bacia terrestre do Espírito Santo. Os lances para esses blocos somaram R$ 7,5 milhões. De acordo com o diretor da área de petróleo e gás da companhia, Guilherme Santana, o direito de exploração da área é dividido meio a meio pela Cowan e pela Petrobras. O contrato para a exploração será assinado com a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) entre julho e agosto. A partir daí, as duas empresas terão cinco anos para explorar a área. “A particpação de uma empresa mineira é importante, ainda mais porque ela se deu em consórcio com a Petrobras”, afirmou Santana.
A Bacia do Tucano Sul está localizada na Bahia e ainda não tem blocos concedidos em fase exploratória. Ali existem cinco campos produtores operados pela também mineira Orteng e pela Petrobras. A produção em dezembro de 2012 foi de 12 barris (bbl/dia) de petróleo e 26 milhares de metros cúbicos (Mm³)/de gás natural. Já a porção terrestre da Bacia do Espírito Santo é classificada como madura e seu histórico exploratório remonta à década de 1950. Estende-se do Sul da Bahia até o Centro-Sul do Espírito Santo e tem potencial para descoberta de óleo.
Valorização
Para representantes do governo e do setor privado, o prolongado intervalo de cinco anos desde a última licitação valorizou os blocos. “A espera deu às áreas a devida valorização”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que estava presente ao evento. Os leilões em um hotel do Rio de Janeiro seriam concluídos hoje, mas não foi necessário. As disputas mais acirradas, tanto de empresas nacionais quanto estrangeiras, se concentraram nas bacias da Foz do Amazonas, Espírito Santo e Parnaíba.
Os lances na bacia do Parnaíba saíram com preço três vezes superior ao estimado. Descobertas de elevado potencial já foram realizadas nessa área de 680 mil quilômetros quadrados que está distribuída entre os estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Ceará e Bahia. Desde janeiro de 2012, a ANP recebeu oito avisos de descobertas na bacia.
O diretor da ANP, Helder Queiroz, avaliou que as áreas foram muito valorizadas também pelos importantes estudos geológicos realizados. Os 155,8 mil quilômetros ofertados têm potencial para elevar em até 55% toda a área exploratória de petróleo e gás do Brasil, que vem recuando nos últimos anos em razão da ausência de leilões no período.
Participaram do leilão promovido pela ANP mais de 60 companhias, disputando direitos sobre 289 áreas de exploração e produção em terra e no mar. As grandes vencedoras foram as brasileiras Petrobras, OGX, Petra Energia, Cowan e a novata Ouro Preto e as estrangeiras Statoil, Total, BP, BHP Billiton, Galp e BG.
Amazonas
O maior lance na primeira parte do leilão foi feito pelo consórcio formado pela francesa Total, a britânica BP e a Petrobras, pelo bloco FZA-M-57, na Foz do Amazonas, no valor de R$ 345,9 milhões. A Foz do Amazonas está situada em região conhecida como margem equatorial. A semelhança geológica da região com a costa oeste africana, importante área petrolífera, faz dela uma das mais valorizadas do leilão. Só com oito blocos na Foz do Amazonas, a ANP arrecadou R$ 750 milhões. Hoje, a atividade de petróleo da bacia se resume a dois blocos operados pela Petrobras.
Os leilões de ontem atraíram 71 empresas. Desse total, quatro não foram habilitadas (Petrosynergy, Partex, Resultado Óleo e Gás, e Vanco Brasil) e três desistiram (BP Energy Brasil, Cisco e Alupar). Com isso, restaram 64 companhias interessadas, sendo 17 brasileiras e 47 de outros 17 países. O leilão inclui 123 em terra, 94 em águas profundas e 72 em águas rasas, sobretudo em “novas fronteiras”.

Marta Vieira *
São Paulo – A entrega nesta sexta-feira da usina solar do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, servirá de modelo para o governo da Alemanha propor novos projetos ao Brasil para a geração das chamadas energias renováveis. O conjunto de painéis fotovoltaicos, transformadores e inversores instalados sobre a cobertura de concreto do Mineirão foi erguido com financiamento do banco alemão de fomento KfW, no valor de 4 milhões de euros (cerca de R$ 10,5 milhões), e contou com suporte técnico da agência de desenvolvimento GIZ (Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável da Alemanha). O próximo passo será dotar o Estádio Jornalista Felipe Drummond, o Mineirinho, do mesmo sistema.
Além da participação de representantes do governo alemão na solenidade que marca a entrada em funcionamento da usina solar do Mineirão, técnicos das empresas germânicas vão expor, em Belo Horizonte, tecnologias no campo das energias consideradas limpas. A iniciativa, segundo o presidente da Federação da Indústria Alemã (BDI), Ulrick Grillo, é parte dos planos para estreitar os negócios no setor entre os dois países.
“Os alemães são pioneiros em tecnologias para sistemas de geração de energia solar e eólica e se tornaram líderes em eficiência energética. O Brasil tem um imenso potencial nessa área”, disse o industrial durante o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado na segunda e ontem em São Paulo. O evento abre a Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, com 426 programações germânicas em duas dezenas de capitais no país envolvendo negócios, manifestações culturais e artísticas.
O coordenador geral do ano da Alemanha no Brasil, Claudio Struck, destaca que o país já faz uso comum do sistema fotovoltaico – produz energia elétrica a partir da radiação da luz solar –, para abastecimento, principalmente, de residências. Mostrar os avanços na geração das energias renováveis é um dos principais focos da temporada. “Queremos apresentar a Alemanha que se vê como nação inovadora. Não só como o país da Oktoberfest e de Michael Schumacher”, afirma Struck.
Estádio renovado Primeiro estádio da Copa do Mundo 2014 a dispor de um sistema de geração de energia solar, o Mineirão terá capacidade de produzir 1,42MW, o suficiente para a iluminação de cerca de 900 residências, informa Alexandre Heringer Lisboa, gestor de projetos de energia renovável da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). “A estrutura será entregue, mas ainda são necessários testes finais de conformidade para que a usina entre em operação comercial, provavelmente dentro de dois meses”, disse Lisboa.
(*) A repórter viajou a convite
dos organizadores da
Temporada Alemanha Brasil 2013-2014
