Vítima da crise financeira mundial, em março de 2009, a fábrica de papéis reciclados de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, será reaberta provavelmente em junho sob a gestão de um grupo de investidores que adquiriu o ativo da klabin S.A. e está estruturando a Indústria de Papéis e Embalagens Ponte Nova Ltda. A unidade ganhou vida nova no município de 56 mil habitantes, com um programa de manutenção para restabelecimento das condições de operação das máquinas. A empresa informou que só depende do fornecimento de energia elétrica pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que deverá concluir no fim de maio as obras de instalação de um transformador na subestação do município.
Além da boa notícia da reativação, serão contratadas 125 pessoas, contigente superior aos 118 demitidos quatro anos atrás, quando a paralisação da linha de produção provocou um drama para a cidade e o comércio local, em plena turbulência no mercado mundial de matérias-primas industriais. A Indústria de Papéis e Embalagens Ponte Nova dará prioridade aos ex-empregados da Klabin, com experiência na produção de papel. O prefeito municipal Guto Malta comemora a reativação da unidade como alavanca para movimentar fornecedores locais, catadores de papel e o setor de transporte.
“Com a reabertura da fábrica, surgiram novas possibilidades de a cidade atrair uma indústria de embalagens e um parque gráfico”, disse Guto Malta. O prefeito recebe amanhã empresários interessados na construção da gráfica. A fábrica vai produzir o papel miolo, matéria-prima da produção de papelão ondulado. O papel miolo será obtido de fibras recicladas, recebendo aditivos químicos durante o processo de produção para aumentar a resistência do material à umidade. A capacidade de produção é de 55 mil toneladas de aparas.
A indústria renasce com a perspectiva de ampliação do negócio, tendo em vista a demanda de caixas de papelão para indústrias moveleiras e de cosméticos, laticínios e frigoríficos na região. Guto Malta disse que o número de empregos poderá chegar a 300 vagas se a cidade for contemplada com uma planta industrial de embalagens. Para o comércio, a reativação da produção de papel reciclado representará uma forte injeção de recursos, considerando a criação de empregos de maior especialização, avalia Júlio Assis Sales, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Ponte Nova e da Câmara de Dirigentes Lojistas.
Dinamismo
A economia local tem no comércio e na agropecuária as principais fontes de sustentação. “A fábrica vai trazer dinheiro novo e de fora da cidade, o que dará mais dinamismo ao comércio. A possibilidade de a cidade exportar produtos fortalece a nossa economia”, afirma Sales. Polo comercial e de serviços de saúde e segurança, Ponte Nova atende a população de uma série de municípios vizinhos, como Urucuia, Oratórios, Santa Cruz do Escalvado e Amparo da Serra. A prefeitura local está, também, trabalhando num programa de formação de mão de obra local, em parceria com as regionais dos serviços nacionais de aprendizagem da indústria (Senai) e do comércio (Senac). Articula, ainda, uma proposta para incentivar o desenvolvimento econômico do Vale do Piranga, composto por 25 cidades, tendo como polo Ponte Nova e Viçosa.
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Fábrica de papelão será reaberta em Minas
Desativada há quatro anos, unidade da Klabin em Ponte Nova é comprada por investidores e voltará a produzir
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