São Paulo, 04 - O ladrão anuncia o assalto: "Passa o tomate!" Para proteger o bem maior, a vítima tenta convencer o agressor: "Não quer levar a carteira e deixar o tomate?" Este diálogo faz parte da charge que tem circulado nos últimos dias nas redes sociais. Se toda a brincadeira tem um fundo de verdade, esse caso não foge à regra. O tomate tem sido o vilão da inflação há um bom tempo nos indicadores de preços ao consumidor.
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de março, por exemplo, o fruto liderou o ranking de pressões de alta do indicador na capital paulista. O preço do item subiu 18,25%, praticamente o dobro da alta de fevereiro, de 9,25%. No acumulado do primeiro trimestre, o tomate apresentou elevação de 70,9% e nos últimos 12 meses encerrados em março uma alta impressionante de 104,11%.
A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) explicou em nota sobre a variação de 3,73% do índice de preços de março que "condições climáticas adversas nas regiões produtoras, como excesso de chuvas e altas temperaturas, além de problemas sazonais em algumas culturas, voltaram a interferir negativamente na qualidade e volume ofertado, principalmente nos setores de legumes e diversos". Dentro do setor de diversos, lá está ele: o tomate avançou 19,2% e figurou entre as principais altas do índice geral.
Por enquanto, não há previsão de recuo nos preços. Enquanto alguns alegam que a saída é torcer para o outono trazer menos chuvas, outros assinalam que uma ambição menor dos comerciantes poderia ajudar. Enquanto isso, as piadas se proliferam. No Twitter, por exemplo, internautas já se perguntam quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai anunciar o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o tomate.
