Em meio a rumores de que estaria em busca de sócios para superar problemas financeiros, a empresa de perfumaria e cosméticos Água de Cheiro começou o ano com número menor de lojas em Belo Horizonte. A marca fechou quatro unidades desde janeiro, sendo três próprias – no Shopping Cidade, no BH Shopping e no centro de compras Plaza Anchieta – e uma franqueada, na Savassi, Zona Sul da capital, que está em processo de transferência de ponto. A direção da rede nega que haja qualquer negociação envolvendo mudança societária e informa que o fechamento de unidades é uma decisão pontual, tomada em razão de questões operacionais específicas dessas lojas.
De qualquer forma, mercado, fornecedores e franqueados estão atentos às próximas movimentações da empresa, conforme o Estado de Minas apurou. A Água de Cheiro conta, hoje, com 50 lojas na Grande BH, sendo quatro próprias e 46 franqueadas. Para João Brizola, gerente de marketing da rede, o fechamento de quatro lojas faz parte do ciclo natural de uma empresa estruturada em modelo de franquias. De acordo com o executivo, a loja localizada na Avenida Getúlio Vargas, distante um quarteirão da Praça da Savassi, foi fechada por uma decisão do franqueado, que optou por mudar de ponto devido ao baixo fluxo de pedestres no local.
“Mesmo com a visibilidade que a loja tinha, havia pouca circulação de pessoas na calçada e dificuldades de estacionamento em horários de pico, entre outras questões”, disse Brizola. Segundo o gerente de marketing da Água de Cheiro, a nova unidade, em local ainda não definido, deve entrar em funcionamento num prazo de até 90 dias.
Já a loja que estava instalada no BH Shopping, aberta em uma tentativa da marca de atrair o público das classes A e B, não deu o retorno esperado pela empresa, voltada para o público de classe C. “Além disso, recebemos uma excelente proposta de um grupo multinacional pelo ponto, a Bare Minerals, empresa do setor de cosméticos voltada para a classe AA”, explica o gerente de marketing.
A unidade no Shopping Cidade se tornou inviável, de acordo com Brizola, por ter sido projetada para uma área de 190 metros quadrados, muito superior à média da rede, de
40 m². “Era um projeto que não se sustentava, mas como se trata de um shopping adequado ao nosso perfil de consumidores, estamos procurando um novo ponto na região”, afirmou o executivo.
Por fim, o fechamento da unidade do Plaza Anchieta reflete o fato de o empreendimento não ter se desenvolvido. “O shopping é muito pequeno e tem pouca circulação de consumidores para os padrões da empresa. Porém, temos uma boa relação com os empreendedores, que nos indicaram para uma operação em outro shopping do grupo instalado em Betim, na região metropolitana”, explica o gerente.
Plano agressivo Comprada em 2009 pela holding Globalbras, do empresário mineiro Henrique Alves Pinto – depois de mais de três décadas nas mãos da fundadora Beth Pimenta –, a Água de Cheiro passou por uma grande expansão desde então, saindo de 269 lojas para cerca de 850 no Brasil. O faturamento médio mensal por unidade é de R$ 30 mil, conforme informações da Associação Brasileira de Franchising, e a dívida da rede, que já era alta (de R$ 10 milhões quando a empresa foi comprada por Alves Pinto), cresceu para acompanhar o plano agressivo de expansão física da rede, que incluiu investimentos pesados em campanhas de marketing.
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Água de Cheiro fecha lojas de baixo retorno na capital mineira
Rede de franquias informa que vai buscar novos pontos em BH e nega que esteja negociando mudança societária
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