O mercado de trabalho tem sido importante motor da queda da desigualdade de renda no país. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, disse nesta segunda-feira (4) que, nos últimos anos, a população excluída vem ganhando mais.
Do outro lado, o presidente do Ipea explicou que cresce menos a renda do trabalho de “grupos incluídos”, dentre eles, homens brancos, com alta escolaridade, que moram no Sudeste.
Ainda de acordo com Neri, o emprego é o que diferencia o Brasil das economias europeias. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) dos países sejam semelhantes, aqui, o mercado de trabalho comemora queda da informalidade e da taxa de desocupação, além de aumento da renda.
Segundo ele, a situação é um "paradoxo", mas evidencia que o desempenho do trabalho brasileiro é melhor que o da produção. Enquanto a renda do trabalho cresce de 3% ao ano, cita, o PIB cresce 0,9%. “O fato é que, o se o PIB é um bom retrato do Brasil, o mercado de trabalho é um bom retrato brasileiro, ou seja, os brasileiros vão melhor que o Brasil”, reforçou o economista.
Perguntado se a tendência de expansão do mercado de trabalho e da renda média do trabalhador vai se manter em 2013, ele preferiu não fazer previsões. Porém, disse que a situação tende a ser positiva, com disputas por empregados e empregadores reticentes a demitir.
“É uma armadilha boa [a reticência à demissão], o trabalhador tem mais poder de barganha exatamente porque se sente valorizado pela empresa”, disse.
Como indicadores positivos do mercado de trabalho, o boletim divulgado hoje destaca a queda da desocupação média em 2012 (5,5%, a menor desde 2002) e o crescimento da taxa de atividade (pessoas economicamente ativas), de 57,15 para 57,3%, entre 2011 e 2012. De acordo com o documento, o mercado de trabalho registrou um “ótimo desempenho” no ano passado.
