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Estado de Minas

Itabira lucra com a coleta seletiva


postado em 04/03/2013 06:00 / atualizado em 04/03/2013 07:29

Luiz Ribeiro

Terra do poeta Carlos Drummond de Andrade e o berço da Vale (ex-Companhia Vale do Rio Doce), Itabira se transformou em modelo de separação do lixo e reaproveitamento do material reciclavel. A cidade é a segunda do país em termos de coleta seletiva, com 70% de sua população (110 mil habitantes) realizando a separação dos resíduos – perde apenas para Curitiba. E a coleta gera recursos para a prefeitura.


O trabalho é feito pela Empresa de Desenvolvimento de Itabira (Itaurb), que responde pela limpeza pública na cidade com a coleta de parte das 67 toneladas produzidas diariamente no município. Com 805 funcionários, a empresa separa e vende o material reciclável, faturando R$ 1,2 milhão por ano. Segundo o diretor de Operações da Itaurb, Elísio Marcos Costa Silva, 52% do lixo recolho é orgânico e 48% é não orgânico. Deste segundo grupo, 23% são recicláveis. Considerando esses índices, o sistema de coleta seletiva da cidade recolhe 14,6 toneladas de materiais recicláveis por dia. Todos os materiais passam por um sistema de triagem na unidade da Itaurb, que vende cerca de nove toneladas de recicláveis por dia.


“Hoje, abastecemos mais de 20 firmas recicladoras em todo o país”, afirma Elísio Marcos. Ele ressalta que a empresa faz uma separação criteriosa. “Separamos os plásticos em 20 categorias. O vidro é dividido entre misto e branco”, exemplifica. O diretor de Operações da Itaurb também lembra que os materiais são negociados com empresas e indústrias de diferentes ramos. “O isopor é triturado para ser usado na construção civil. Já os pneus são encaminhados para ser aproveitados na indústria cimenteira”, revela Elísio Marcos.

Óleo de cozinha Em Montes Claros, no Norte de Minas, Maria Aparecida Cordeiro Nascimento encontrou na produção artesanal de produtos de limpeza uma maneira de sobreviver. Ela faz a reciclagem do óleo de cozinha usado em frituras por lanchonetes e restaurantes da cidade e produz sabão em barra e sabão líquido. A venda é feita de porta em porta e numa feira livre, aos domingos. O sabão em barra é comercializado por R 3,50 (pacote com cinco unidades) enquanto o sabão líquido custa R$ 1,50 a embalagem PET de dois litros. “Ganho em torno de R$ 500 a R$ 600 por mês. É com a produção do sabão a partir do óleo de cozinha que estou sobrevivendo, pois aqui em casa, está todo mundo desempregado”, afirma a mulher, que vive com o marido, Carlos Alberto Teixeira, e três filhas. Ela compra o óleo de cozinha nas mãos do catador Wilson Ruas de Souza, de 76. O catador recolhe o produto em lanchonetes e restaurantes da cidade e depois entrega para Maria Aparecida a R$ 0,80 o litro. Wilson comercializa cerca de 500 litros óleo por mês, em média.

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