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Estado de Minas

Indústria segue em recessão, mas serviço cresce com rapidez


postado em 02/03/2013 06:00 / atualizado em 02/03/2013 07:38

Brasília e Rio de Janeiro – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem revelam que o Brasil cresce a duas velocidades. De um lado, a indústria segue atolada em recessão, sobretudo a de transformação. A queda do Produto Interno Bruto da atividade industrial foi de 0,8% no ano passado. De outro lado, o setor de serviços cresce a taxas robustas — avançou 1,7% em 2012 e colaborou, do ponto de vista da oferta, com R$ 2,5 trilhões para o Produto Interno Bruto (PIB). É tão forte que foi um dos poucos que nunca entraram em recessão, mesmo no pior momento da crise desencadeada pela quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, o setor registrou taxas positivas de crescimento.

Entre os segmentos de serviço que mais se expandiram em 2012, figura o de informação, com avanço de 2,8% no último trimestre do ano frente a igual período de 2011. O grupo transporte, armazenagem e correio cresceu 2%. O imobiliário e de aluguel, 1,3%. “O setor de serviços está crescendo quatro vezes mais que a indústria”, observou José Márcio Camargo, economista da Opus Investimentos. Segundo ele, o segmento tem vantagem contra outros porque consegue repassar para os preços os aumentos de custos dos últimos anos.

Não à toa, a inflação de serviços, no acumulado de 12 meses, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), bateu em 8,61% em janeiro. A carestia média do país, na mesma base de comparação, registrou ritmo bem menos intenso, ficou em 6,15%. “O setor de serviços se beneficiou com o aumento e distribuição da renda, a demanda cresceu muito. O problema é que quanto mais o consumo avanço, mais o preço sobe”, resumiu Camargo. Toda essa força do setor de serviços é sustentada pelo consumo das famílias, que em 2012 chegou a 62,3% do PIB — o maior percentual desde 2001, quando esse valor havia sido de 63,5%.

Baixa tração

No quarto trimestre do ano passado, a indústria apresentou ligeira melhora. A alta de 0,4%, porém, foi insuficiente para tirar o setor produtivo nacional do atoleiro. A indústria de transformação foi a que ficou em pior situação, encolheu 2,5% depois de ter registrado expansão de apenas 0,1% em 2011. Apenas alguns setores, como perfumaria e eletrodomésticos, tiveram desempenho favorável. O segmento de construção civil, que também influencia o desempenho da indústria, apresentou crescimento de 1,4% apesar da desaceleração da economia. (Com PSP)


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