A tragédia que deixou 239 mortos na Boate Kiss, na cidade universitária de Santa Maria (RS), completa hoje 17 dias. De um lado, a comoção internacional causou o fechamento em todo o país de centenas de casas noturnas que funcionavam em desobediência às normas de segurança. Do outro, refletiu no aumento das vendas de extintores de incêndio e equipamentos de segurança, como luminárias de emergência. O avanço no comércio desses produtos, além de evitar que o pesadelo ocorrido no Rio Grande do Sul possa se repetir em qualquer lugar do Brasil, se deve à intensificação da fiscalização por parte do Corpo de Bombeiros e órgãos competentes.
Em Minas Gerais, segundo a Associação dos Comerciantes de Extintores de Minas Gerais (Acex-MG), as vendas de extintores contra incêndios, cujo preço médio de um tubo de seis quilos é R$ 120, subiu 40% nas últimas semanas. “Houve até loja que ficou sem o material”, disse o ex-presidente da entidade e hoje primeiro-secretário da Acex, Daniel Cardoso, que também é dono da Sis Total Extintores, que funciona em Betim, na Grande BH. Ele conta que a procura por mangueira, porta corta-fogo, abrigo para o extintor e outros acessórios também foi boa.
No Bairro Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, a Comitec Comércio, especializada em equipamentos contra incêndio e pânico, também registrou aumento na clientela. O que mais chamou a atenção dos funcionários foi a procura por consumidores interessados em equipar as próprias residências. Em razão disso, explica Raquel Patente de Araújo, gerente do estabelecimento, a empresa orientou as pessoas como usarem corretamente os equipamentos. Lá, as vendas subiram cerca de 20%.
“E os negócio continuam indo bem. Tenho observado que imóveis residenciais estão procurando mais esse tipo de serviço. Atendemos moradores de bairros da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, como Belvedere e Serra. Os clientes estão buscando não apenas extintores, mas mangueiras, conexões com tubulações e registros”, disse Raquel, acrescentando que o uso correto dos equipamentos é imprescindível para o bom funcionamento.
Longe de lá, no Bairro Tupi, na Região Norte da capital, o empresário José Carlos Freitas, dono da Prevenção, cujo carro-chefe é a manutenção de extintores, explica que esse tipo de serviço praticamente dobrou depois da tragédia em Santa Maria. “Atendíamos cerca de 250 clientes. Passou para quase 500”, comparou o comerciante, acrescentando que boa parte desse aumento também se deve à procura de extintores para residências.
MANUTENÇÃO Daniel, da Acex-MG, alerta que, de forma geral, o brasileiro só se lembra do extintor quando ocorre uma catástrofe, como a que vitimou 239 pessoas em Santa Maria. “Infelizmente, o brasileiro é relaxado. Compra por obrigação”. Outro detalhe importante, acrescentou o empresário, “é saber usar os materiais contra incêndio”. Por isso, na compra dos equipamentos é necessário pedir orientações aos vendedores.
A manutenção nos equipamentos, continua Daniel, é outra medida importante. Em média, o reabastecimento de um tubo de 6kg sai, em Minas Gerais, por R$ 35. Na Boate Kiss, por exemplo, um dos músicos da banda tentou apagar as labaredas no teto com um extintor. O tubo, porém, não funcionou.
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Venda de extintor registra aumento após tragédia em boate no Rio Grande do Sul
Preocupação maior com segurança depois da tragédia faz comércio de itens de emergência ter alta de até 40%
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