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Estado de Minas

Produção indústrial em Minas cresce mas falta motivo para comemorar

Operação das fábricas avança 1,4% em Minas em 2012 e sobe em outras quatro regiões, mas não barra queda de 2,7% no país. Empresários e CNI afirmam que ano foi perdido para setor


postado em 07/02/2013 06:00 / atualizado em 07/02/2013 07:32

Vilã do desempenho fraco em algumas regiões, indústria automotiva foi responsável por desempenho positivo no estado(foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)
Vilã do desempenho fraco em algumas regiões, indústria automotiva foi responsável por desempenho positivo no estado (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)

Mesmo fechando o ano em alta de 1,4% e como âncora no resultado da produção industrial brasileira, o desempenho da indústria mineira não convenceu o setor. O indicador nacional, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou resultado ainda pior. A produção industrial brasileira fechou 2012 no vermelho, com queda de 2,7%. Excluindo os anos de 1992 e 2009, esse foi o pior ritmo da atividade fabril brasileira, desde o início da série histórica, iniciada em 1992.


 Enquanto as perdas do setor automotivo (-13,5%) explicaram os principais impactos negativos sobre o total da indústria nacional, segundo o IBGE, em Minas o segmento mostrou desempenho positivo, fechando o ano em alta de 5,4%, o que elevou os resultados do estado. Juntamente com os veículos automotores, o setor de produtos químicos (16,6%), refino de petróleo e produção de álcool (8,1%) alavancaram o indicador da produção em Minas.

De modo geral, a produção industrial brasileira caiu em nove das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE. “Os resultados indicam que os esforços do governo para incentivar o investimento na produção não surtiram os efeitos esperados. Contribuíram também para o resultado negativo as exportações, que não se recuperaram, e o mercado interno, que já está desgastado”, avaliou Rodrigo Lobo, analista socioeconômico do IBGE. O especialista aponta ainda que as políticas de redução do IPI e incentivo ao crediário não responderam com o mesmo ritmo do passado. “O retorno positivo veio da redução do IPI para móveis e linha branca.”

Apesar de o resultado do estado ter ficado atrás do da Bahia (4,2), Goiás (3,8%) e Região Nordeste (1,7%), o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério César de Souza ressalta que o parque industrial do estado é mais robusto e diversificado, tendo assim o maior peso entre aqueles que fecharam o ano no azul. “Juntos, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são responsáveis por 70% da produção industrial brasileira. O resultado nacional só não foi mais trágico devido ao peso positivo de Minas Gerais.” Segundo o economista, a produção de veículos contribuiu para o desempenho mineiro relativamente melhor que o do país. “Mesmo o resultado positivo do estado não convence de forma segura. No fechamento do ano, seis dos 14 setores pesquisados em Minas tiveram desempenho negativo.”

Lincoln Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) também apontou que os resultados positivos não foram igualmente distribuídos pelos setores. “O ano não foi bom. Estar melhor que o país que teve um resultado negativo, não é um motivo para comemorações.” Segundo Fernandes, a expectativa é de que em 2013 alguns setores como mineração, siderurgia e indústria automotiva, experimentem crescimento. Avanço sutil também é esperado para o setor de alimentos. No entanto a luz amarela está acesa para confecções, setor textil e calçadista.

(foto: Clique na imagem para ampliar )
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Em dezembro a produção fabril do estado fechou em queda de 1% frente a novembro. No entanto, segundo a Fiemg, a sazonalidade do mês, quando a produção se encerra mais cedo, com férias coletivas, explica o resultado. O ano que se inicia ainda é uma incógnita. Para o Iedi, o crescimento não deve ultrapassar a marca de 2,5%, o que seria suficiente apenas para recuperar as perdas dos últimos 12 meses.

Ano perdido

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou 2012 como ano perdido para a indústria de transformação. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada ontem, apesar da alta de 2,4% no faturamento do setor, as horas trabalhadas na produção caíram 1,5% e a utilização da capacidade instalada recuou 0,9 ponto percentual. O emprego ficou estável em 2012, na comparação com 2011. Segundo a CNI, a retração da atividade não costuma ter impacto imediato sobre os indicadores vinculados ao mercado de trabalho, o que justifica a manutenção do emprego e crescimento dos salários, que ampliaram em 5,3% no ano passado.

De acordo com o estudo, em 2012 o faturamento cresceu em 12 dos 19 setores pesquisados. O maior aumento foi registrado na indústria de papel e celulose, em que o indicador aumentou 28,2% na comparação com 2011. No mesmo período, a maior queda, de 14,5%, ocorreu no setor de outros equipamentos de transporte, que reúne fabricantes de carrocerias, aviões, navios e reboques.

 

Montadoras aceleram e têm o melhor janeiro

 

As montadoras registraram o melhor janeiro da história em produção, com 279,3 mil unidades, a maior para o período desde 2008. A alta em relação a igual mês de 2012 foi de 32%, e de 7,7% ante dezembro. Algumas montadoras, contudo, enfrentam desabastecimento de peças. Só a Fiat tem 3 mil carros incompletos no pátio da fábrica de Betim (MG) à espera de itens como rodas de liga leve e componentes plásticos.

Segundo Cledorvino Belini, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e da Fiat, o resultado de janeiro poderia ter sido 5% maior caso houvesse disponibilidade de peças. “Alguns segmentos do setor de autopeças não estão investindo na mesma proporção (que as montadoras)”, disse Belini. “Se o problema persistir, teremos de importar o que está faltando”.

Outra justificativa é de que a empresa não deu férias coletivas no fim do ano – a dispensa ficou para este mês –, enquanto os fornecedores pararam suas linhas, o que pode ter resultado no descompasso entre as partes. O executivo afirmou que parte do problema do estoque de carros incompletos deve ser resolvida justamente em razão da parada de dez dias que ocorre na fábrica desde segunda-feira. Ele conta com o abastecimento normal de peças no retorno dos funcionários. Outra alternativa, disse, é mudar o pacote de produção, dando prioridade aos modelos que têm peças à disposição.

Na Volkswagen, segundo a comissão de fábrica, foram registrados problemas pontuais de abastecimento, mas ligados a um aumento não programado na produção. A montadora não comentou o assunto, assim como a General Motors e a Ford.

Expectativa

Apesar do problema, Belini comemorou o bom início de ano. “Nunca se produziu tanto veículo num mês de janeiro na história deste país”. Em consequência, foram criados 1.403 empregos. As montadoras, incluindo as de tratores, empregam agora 150,9 mil pessoas, 5,9 mil a mais que há um ano. A Anfavea espera crescimento de 4,5% na produção este ano, para 3,49 milhões de veículos. Em 2012, o setor registrou o primeiro recuo em uma década, com queda de 1,9% ante 2011, para 3,34 milhões de veículos.

As vendas em janeiro também foram recordes para o mês, com 311,4 mil unidades, 16,1% a mais que no mesmo mês de 2012, mas 13,3% a menos que em dezembro, quando ouve corrida às lojas devido ao fim da redução integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O imposto voltou a ser cobrado gradualmente a partir deste mês. O setor fechou janeiro com 298 mil carros em estoque, o equivalente a 29 dias de vendas, ante 24 em dezembro, quando o estoque era de 295 mil veículos.


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