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Estado de Minas

Falhas no transporte público e renda maior turbinam a rentabilidade dos estacionamentos


postado em 27/01/2013 06:00 / atualizado em 27/01/2013 07:21

(foto: Maria Tereza Correia/Em/D.A Press)
(foto: Maria Tereza Correia/Em/D.A Press)

Com muitos carros nas ruas, trânsito caótico e um transporte público ineficiente, os estacionamentos privativos, além de alternativa, se tornaram um bom negócio. O aluguel de apenas uma vaga para horistas no Centro de Belo Horizonte chega a render 10 vezes mais que o de um apartamento em região nobre da cidade. O cálculo, feito pelo professor Finanças da Faculdade IBS/FGV, Milcíades Morais, avalia uma vaga em um estacionamento da região central de Belo Horizonte, que funciona das 7h às 23h, todos os dias da semana, com valor da hora a R$ 12. Considerando que essa vaga receba apenas horistas (sem contar mensalistas e diaristas) nas 16 horas de funcionamento, nos 30 dias do mês, o rendimento bruto seria de R$ 5.760 ao mês.


Já um apartamento com localização no Belvedere, de frente para a Lagoa Seca, que tem 148 metros quadrados distribuídos entre quatro quartos, sendo uma suíte com closet, uma sala para três ambientes com lavabo e varanda, um banheiro social, dependência de empregada completa e área social com sauna, espaço gourmet, piscina, quadra, além de porteiro 24 horas e duas vagas de garagem, rende ao proprietário cerca de R$ 5.550 ao mês. Em uma série de reportagens, o Estado de Minas mostra como o aumento da frota no país, a escassez de vagas livres nas ruas – sobretudo próximo aos centros comerciais – e as deficiências do serviço público de transporte transformaram o segmento em uma verdadeira mina de ouro e o serviço em item essencial para grande parte dos moradores das grandes cidades.


Comparando essa vaga de estacionamento no centro de Belo Horizonte – que tem 4 metros de comprimento por 2,5 metros de largura, com área de 11 metros quadrados (considerando espaço comum) e valor médio de R$ 13 mil por metro quadrado –, Morais conta que o rendimento da vaga seria de 4,02% ao mês, enquanto o do apartamento de 0,4%, independentemente de sua metragem e valor. “Ao ano, essa vaga renderia ao proprietário do estacionamento cerca de 48% do valor do imóvel , enquanto o aluguel residencial garantiria ao seu proprietário faturamento bruto de 4,8% no mesmo período”, avalia. Segundo o professor, o rendimento proveniente da vaga ultrapassa qualquer aplicação tradicional. Entre elas, o ouro (15,26% ao ano), dólar (8,94%), Ibovespa (7,4%) e poupança pelas regras antigas (6,74%), que se apresentaram como melhores investimentos em 2012, segundo ranking da consultoria Economatica.


Morais reforça, no entanto, que é preciso lembrar que o rendimento bruto de uma vaga destinada apenas a horistas (cerca 48% ao ano), não desconta os custos do empresário. “Ainda assim, esse é um investimento atrativo, principalmente para os grandes investidores”, afirma. “Não estamos falando de uma vaga comercial em um prédio, que pode ser comprada por pessoa física, e sim de um estacionamento, que tem preço diferenciado do metro quadrado e precisa estar em localização privilegiada”, diz. Para que haja rendimentos como o estimado, o professor afirma que é preciso pensar nesse valor para uma área construída ou um terreno de, no mínimo, 300 metros quadrados.

INVESTIMENTO Marcos Walter de Souza, proprietário de um estacionamento no Santa Efigênia há 12 anos, confirma que a rentabilidade de seu negócio supera a de qualquer tipo de aluguel. “Qualquer pessoa que tenha um lote numa região onde haja carência de vagas e condição financeira para montar nele um estacionamento tem uma fonte de renda que supera qualquer aluguel comum”, afirma. “O importante é estar em um lugar estratégico e, de preferência, ser o proprietário dessa área para que o lucro seja interessante”, acrescenta.


De olho nesse mercado, que, segundo ele, foi potencializado nos últimos anos pelo grande número de carros nas ruas, o empresário investiu cerca de R$ 120 mil na instalação de 10 elevadores automotivos, com sistema hidráulico e elétrico. Com isso ele aumentou sua capacidade de 40 carros para 60 carros. “Acho que vale o investimento pela alta rotatividade. A intenção é aumentar o espaço e, por consequência, os ganhos, já que esse é um negócio como outro qualquer”, afirma.

Lucro que nasce no caos

Os bons rendimentos de um estacionamento brotam nas dificuldades de deslocamento em metrópoles como Belo Horizonte. Os entraves sentidos no trânsito, mas também no transporte público têm levado grande parte da população a recorrer ao carro próprio e, por consequência, aos estacionamentos. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), cerca de 288 carros são emplacados por dia em Belo Horizonte e a frota na capital ultrapassa os 1.519.438 veículos, entre carros, motos e caminhões – de acordo com dados de dezembro. No entanto, não há informações oficiais sobre o número de vagas disponíveis na cidade.


Assim como não é possível mensurar o número de vagas disponíveis na capital, também não é possível saber se elas conseguem atender a demanda dos motoristas. O que se sabe, no entanto, é que para manter o carro guardado em segurança é preciso colocar a mão no bolso. Segundo pesquisa de preços realizada pelo site Mercado Mineiro em 61 estacionamentos da cidade entre os dias 21 e 22, para estacionar o carro por uma hora um motorista pode desembolsar de R$ 4 a R$ 16, variação de 300%. O preço médio da hora em um estacionamento, de acordo com a pesquisa, foi de R$ 8,84. A diferença entre os preços é maior quando a comparação considera a fração de 15 minutos. Na capital, o serviço custa de R$ 1 a R$ 5, variação de 400%. Já a fração de 30 minutos pode ser encontrada em Belo Horizonte custando de R$ 2 a R$ 8, diferença de 300%. Com a mesma variação está a fração de 45 minutos, encontrada de R$ 3 a R$ 12. A diária, segundo a pesquisa custa de R$ 12 a R$ 50, variando 316,67%, o pernoite de R$ 10 a R$ 50, com diferença de 400% e mensalidade de R$ 85 a R$ 400, com variação de 370,59%.

LOCALIZAÇÃO O preço de uma vaga está diretamente ligado à região onde o estacionamento fica. Não à toa, na região circundada pela Avenida do Contorno os valores são bem mais altos. Justamente ali está a maioria das vagas de estacionamento rotativo da cidade, o que dificulta bastante a caçada por um lugar onde deixar o automóvel. “É a região mais adensada e onde estão as principais atividades comerciais da cidade, tais como hospitais, grandes lojas de varejo e edifícios comerciais. É também a região mais antiga da cidade, onde os prédios não têm vagas suficientes para atender ao crescente aumento da demanda”, afirma o diretor da MinasPark, Ênio Dutra de Resende.


Prova disso é que, segundo consulta a pesquisa do site Mercado Mineiro, o bairro com média mais alta de preços é o Funcionários, onde a hora custa R$ 10,33 em média. Enquanto isso, no Coração Eucarístico, apesar da alta demanda dos universitários, o custo é de R$ 4 por hora, ou seja 61,28% inferior ao que é cobrado na Região Centro-Sul. O quesito valorização do bairro também é levado em conta. No caso do Luxemburgo, onde também não há rotativo, o custo médio se assemelha ao dos mais caros (R$ 10). (CM E PF)


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