(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Calote ignora juro baixo e segue alto

Dados do BC mostram que custo do dinheiro recua, crédito aumenta, mas famílias brasileiras continuam endividadas


postado em 26/01/2013 06:00 / atualizado em 26/01/2013 07:07

Nem mesmo os juros no menor nível da história e o aumento do prazo para pagamento fizeram os consumidores colocarem suas contas em dia. O percentual de atraso superior a 90 dias, classificado pelo Banco Central como inadimplência, permaneceu em 7,9% em dezembro de 2012, o maior percentual desde novembro de 2009. Com quase metade do orçamento anual comprometido com empréstimos e financiamentos, e sem dominar plenamente os produtos financeiros, as famílias assumiram uma dívida recorde até o fim do ano passado, R$ 1,1 trilhão. Apenas no cartão de crédito e no cheque especial, modalidades que cobram os juros mais elevados do mercado, o brasileiro deve R$ 56 bilhões.

A expectativa do Banco Central e do governo era de que com a redução dos juros os brasileiros conseguissem refinanciar as dívidas, trocar faturas mais caras por mais baratas e sair da inadimplência. Os números divulgados ontem pela autoridade monetária, porém, mostram o contrário. A inadimplência manteve-se em patamar elevado e o brasileiro, ao invés de organizar as contas, buscou crédito para comprar de tudo, principalmente carros e eletrodomésticos beneficiados pelo desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Durante o ano passado, a taxa de juros para as pessoas físicas caiu 9,2 pontos percentuais, baixou de 45,1% ao ano em janeiro para 34,6% em dezembro. Para analistas, não é pouca coisa, principalmente porque veio associado ao aumento no prazo de pagamento – o que, fortemente influenciado pelo financiamento habitacional, passou de 599 dias no início do ano para 632 dias em dezembro. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Túlio Maciel, admitiu que essas variáveis mais o crescimento real da renda superior a 6% no ano deveriam contribuir para reduzir o comprometimento dos consumidores com os encargos financeiros e aumentar a capacidade de pagamento.

Resistência

Pelos números do próprio BC, porém, a inadimplência permaneceu elevada e, agora, concentrada no crédito pessoal, cujo saldo de operações ultrapassa R$ 314 bilhões. A autoridade monetária não soube explicar por que as pessoas com ganho de renda e pagando juros menores não conseguem quitar suas dívidas. Apenas ressaltou que o período crítico — de maior nível de calote — passou. Segundo Maciel, a inadimplência veio crescendo até o meio do ano passado e depois se estabilizou.

O chefe do Departamento Econômico do BC destacou ainda que o principal problema, o crédito para veículos, foi resolvido com medidas macroprudenciais, normas que passaram a impor mais exigências e segurança na realização desses financiamentos. A inadimplência, nesse caso, saiu de uma taxa de 2,5% em dezembro de 2010, chegou a 6,1% em maio de 2012 e baixou para 5,3% em dezembro. O estoque das operações de crédito para a aquisição de veículos contratadas pelas pessoas físicas ultrapassa a R$ 201 bilhões. Questionado quanto ao que ocorreria com a inadimplência em 2013, Maciel informou que o Banco Central não faz previsão para os atrasos acima de 90 dias.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)