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Estado de Minas

Indústria prevê produção maior mas sem contratar, diz FGV


postado em 26/12/2012 14:12

A indústria de transformação espera começar 2013 com produção física maior, mas sem novas contratações. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgado nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta um aumento na confiança de 1,1% em dezembro ante novembro. A alta reflete o avanço no indicador de produção prevista para os próximos três meses - de dezembro a fevereiro -, que passou de 126,9 pontos em novembro para 135,3 pontos neste mês.

O resultado mostra que 39,4% dos empresários esperam que a produção até fevereiro seja maior do que nos três meses anteriores. Só 4,1% acreditam que a produção industrial será menor. Em novembro, esta última porcentagem chegava a 15,5%. "O indicador de produção para os próximos três meses foi muito favorável em dezembro, a despeito dessa expectativa que havia de queda do (benefício de desoneração do) IPI", avaliou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloísio Campelo, em entrevista à imprensa para comentar os resultados da Sondagem da Indústria de Transformação de dezembro.

"A produção prevista para os próximos três meses vem mais forte, mas o indicador de emprego não dá sinal de vida. Está num patamar relativamente baixo em termos históricos", completou o economista. O emprego previsto chegou ao patamar de 109,0 pontos em dezembro, contra 109,9 pontos no mês anterior. A média histórica do indicador é 113,4 pontos. "Estamos seguindo essa hipótese de que a indústria num período de desaceleração mais forte demitiu menos do que seria normal, porque o mercado de trabalho está bastante pressionado e agora num momento em que começa a recuperar também não está com planos de voltar a contratar", explicou Campelo. A expectativa, portanto, é de estabilidade no emprego, apesar das previsões mais favoráveis à produção.

De acordo com o economista, a pontuação de 135,3 pontos para a produção prevista se afasta, positivamente, da média histórica dos últimos 60 meses para o indicador, de 127 pontos. Campelo afirmou que é possível que haja uma desaceleração da produção para os setores beneficiados pela redução do IPI no primeiro semestre de 2013, com a retirada gradual do benefício, mas mesmo assim há uma melhora na previsão de produção.

A produção prevista é um dos quesitos analisados pela FGV para elaborar o Índice de Expectativa (IE), que compõe o ICI junto com o Índice de Situação Atual (ISA). Em dezembro, o IE subiu 1 9%. "O ânimo dos empresários tem se mantido num patamar que, se a economia realmente mostrar sinais de recuperação nesse quarto trimestre e não houver mais surpresas no 'front' internacional, estariam mais dispostos a voltar a investir", afirmou Campelo.

A confiança na situação futura dos negócios, perspectiva para seis meses, também parte do IE, foi positiva em dezembro. O indicador se manteve nos 147,5 pontos, patamar igual ao de novembro. Campelo afirma que o resultado é considerado um otimismo moderado. O nível fica acima da média histórica dos últimos 60 meses, de 169,6 pontos.


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