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Estado de Minas

Presidente da Fiemg considera redução positiva; leia a nota


postado em 10/10/2012 21:18 / atualizado em 10/10/2012 21:22

O presidente da Fiemg, Olavo Machado Jr., considerou positiva a decisão do Copom em reduzir a taxa básica de juros em mais 0,25 pontos percentuais. Ele pondera que há muitos sinais de fragilidade nos cenários interno e externo e a inflação mostra-se sob controle. Outras medidas elogiadas pelo presidente da Fiemg foram o programa voltado para a depreciação acelerada dos investimentos e o programa de concessões de infraestrutura. Leia abaixo a íntegra da nota.

Consideramos acertada a decisão do Comitê de Política Monetária em reduzir a taxa básica de juros em mais 0,25 pontos percentuais. A atividade econômica ainda dá muitos sinais de fragilidade, tanto no cenário externo quanto interno, e a inflação doméstica mostra-se sobre controle, dentro da meta estabelecida pela Autoridade Monetária. Portanto, no nosso entendimento, havia espaço para mais uma redução na SELIC.

Devemos observar que em relação à inflação, a expectativa do mercado e do próprio Banco Central para o IPCA acumulado para os próximos 12 meses mostra estabilidade, próxima de 5,5%, portanto, dentro das bandas estabelecidas pelo governo. O mesmo comportamento é observado para o IGP-M, onde a primeira prévia do índice de outubro registra variação próxima de 0,50%, desacelerando em relação ao mesmo período do mês anterior (0,59%).

Por outro lado, se a inflação mostra-se dentro do previsto, a atividade econômica, nacional e internacional, ainda dá muitos sinais de fragilidade. No cenário externo, o FMI acabou de revisar para baixo suas expectativas em relação ao crescimento da economia mundial, alertando em seu relatório que o cenário para a economia global é mais sombrio do que o traçado em julho, tendo em vista o aumento das incertezas e riscos na Europa e EUA.

Para o FMI, o PIB mundial deve apresentar crescimento de 3,3% em 2012, com as economias avançadas apresentando tímido crescimento em torno de 1,3%, e os emergentes o fundo trabalha com taxas de 5,3% em 2012 (uma redução de 0,3 p.p. em relação ao último relatório).

Para o Brasil, o Banco Central relutou em convergir suas projeções para o PIB às estimativas do mercado, mas enfim, reconhece que o País deve ter um crescimento muito fraco em 2012, de apenas 1,6%, portanto, bem abaixo dos BRICs, que devem crescer entre 3,7% (Rússia) a 7,8% (China), e da América Latina que deve crescer 3,2% em 2012.

O baixo crescimento brasileiro verificado neste ano está relacionado com o desempenho da indústria que não deve crescer neste ano, com o mercado projetando uma queda de 2% na produção física do segmento. Além disso, as projeções para o PIB indicam que a formação bruta de capital fixo, ou seja, os investimentos, também devem cair neste ano, demonstrando que a recuperação das expectativas empresariais ainda é muito fraca.

E mesmo no lado do consumo, há vários indicadores que demonstram que a atividade econômica não está superaquecida, inclusive em relação ao crédito, portanto, não traz riscos relevantes para a inflação pelo lado da demanda. Demonstra também que as políticas de fomento a atividade econômica via incentivo ao consumo vem se esgotando, sinalizando para a importância do governo implementar medidas voltadas para estimular o aumento da oferta agregada na economia, ou seja, os investimentos.

Nesse sentido, devemos elogiar duas medidas recentes lançadas pelo governo que contribuem positivamente para elevar o potencial de crescimento da economia brasileira, via o aumento dos investimentos. Refiro-me ao programa recém lançado pelo governo voltado para a depreciação acelerada dos investimentos e ao programa de concessões de infraestrutura.

Em relação à depreciação acelerada, a única ressalva a fazer é que esta medida não deveria ter vigor somente até o final do ano. Para setores como o de máquinas e equipamentos em geral, esta é uma medida que deveria ser adotada num prazo mais longo, pois contribui para a renovação e modernização do parque fabril nacional e, portanto, para o aumento da produtividade de nossas indústrias.

Em relação ao programa de concessões, ainda existem muitas dúvidas sobre a eficácia do mesmo, mas a consolidação de uma agenda de maior participação do setor privado no setor de infraestrutura traz uma perspectiva favorável à retomada do crescimento, via impacto direto nas expectativas e, principalmente, pelos efeitos que gera sobre produtividade total da economia.


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