Os olhos do mundo estarão voltados aos acontecimentos de hoje em Tóquio, no Japão, durante a abertura anual dos debates do Fundo Monetário Internacional (FMI). Enquanto países ricos e emergentes, como o Brasil, ainda discutem soluções para a saída da crise financeira global, líderes dessas nações tentam encontrar um denominador comum para que suas políticas de defesa econômica não descambem para um “protecionismo disfarçado”.
A polêmica em torno do termo cunhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá ser um dos pontos centrais dos debates que se estenderão até o sábado. Em seu discurso oficial, o ministro deverá voltar a apontar o dedo contra os Estados Unidos e sua política de inundar a economia com dinheiro barato. Mantega deverá repetir a postura já adotada pela presidente Dilma Rousseff de criticar a desvalorização artificial da moeda norte-americana via injeção de recursos, fazendo com que outras divisas, entre elas o real, fiquem mais caras, o que reduz a competitividade das exportações desses países.
Outro assunto que o governo brasileiro deverá colocar na mesa do FMI é a discussão pela reforma das cotas de participação do fundo. Mantega cobrará mais agilidade nas discussões sobre maior peso dos países emergentes, mas não espera ver uma solução de imediato para o problema. Isso porque o governo sabe que uma definição para as cotas depende da aprovação da mudança pelo Congresso dos Estados Unidos, que, por causa das eleições presidenciais, já avisou que não deverá tratar do assunto em 2012.
Merkel na Grécia
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou ontem seu apoio à permanência da Grécia na Zona do Euro durante uma visita relâmpago à capital Atenas, enquanto dezenas de milhares de manifestantes protestavam no centro da cidade contra a visitante e os duros cortes que o país vem sendo forçado a adotar em troca de ajuda financeira dos parceiros europeus.
O governo grego se prepara para anunciar uma nova série de medidas de austeridade – no momento em que o país balcânico vive o quinto ano de recessão e quase 25% da força de trabalho está desempregada. O governo grego precisa aprovar os novos cortes de 13,5 bilhões de euros para receber, até meados de novembro, 31 bilhões de euros do segundo pacote de socorro e conseguir honrar seus compromissos com os credores internacionais.
Ao discursar durante entrevista transmitida pela TV local, Merkel declarou: "A Alemanha quer ser uma boa parceira e uma amiga real", ao mesmo tempo em que insistiu que o país cumpra seus compromissos com reformas. "Espero e desejo que a Grécia continue sendo parte do euro", disse a chanceler. "Nós realmente podemos ver luz no fim do túnel", acrescentou.
Alerta do BCE
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, alertou ontem que a atividade econômica na Zona do Euro será "frágil" no futuro próximo e que a recuperação será "muito gradual". Em pronunciamento no Parlamento Europeu, Draghi avisou que há o risco de essas perspectivas piorarem devido às "tensões em vários mercados financeiros da região".
Publicidade
Mantega vai debater 'protecionismo' na reunião do FMI
Além de debater saída para a crise global, reunião do FMI servirá para ministro criticar injeção de recursos dos EUA
Publicidade
