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Estado de Minas

Fim da linha para o Cruzeiro do Sul

BC decreta liquidação extrajudicial do banco, que tem rombo de R$ 2,2 bi. Medida vale também para o Prosper


postado em 15/09/2012 06:00 / atualizado em 15/09/2012 07:06

Brasília – Não teve jeito. Depois de meses tentando uma saída de mercado para o Banco Cruzeiro do Sul , o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito jogaram a toalha. Com um rombo patrimonial de R$ 2,2 bilhões, dos quais pelo menos R$ 1,3 bilhão relativo a fraudes, o Banco Central decretou ontem a liquidação extrajudicial do banco que pertencia à família Índio da Costa, do Rio de Janeiro. Também ontem foi liquidado o banco Prosper.

Os clientes com empréstimos do banco terão de continuar pagando os saldos devedores normalmente. Caso haja mudança no lugar de pagamento – fechamento de agências – os correntistas serão informados pelo liquidante, responsável pela recuperação de ativos para pagamento das dívidas, sobre o novo local. Não haverá mudança para o empréstimo consignado, que continuará sendo descontado da folha de pagamento.

Com a liquidação, os credores terão de reclamar as dívidas na Justiça. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante a cobertura integral de depósitos até R$ 70 mil e mais os CDBs que foram comprados com garantia especial, conhecidos como DPGE. Segundo o BC, cerca de 35% dos depósitos do Cruzeiro do Sul contam com a garantia do FGC, que deve desembolsar R$ 1,9 bilhão para as coberturas.

O FGC vinha administrando o Cruzeiro do Sul, colocado ainda no ano passado sob o regime de administração especial temporária (Raet). Nos seis meses de duração do regime, a entidade tentou achar um comprador. A última tentativa foi com o banco espanhol Santander. As negociações se arrastaram até a madrugada de ontem, mas, como não houve acordo, o BC não teve outra alternativa.

Os problemas no Cruzeiro do Sul – uma instituição financeira pequena, que só detém 0,25% dos ativos do sistema financeiro, mas que ficou conhecido pelo empréstimo consignado – começaram bem antes da decretação do Raet. A fiscalização do BC descobriu que os administradores do banco criaram operações de crédito fictícias em centenas de milhares de pequenas operações. Ou seja, um ativo de R$ 1,3 bilhão contabilizado no balanço simplesmente não existia.

Depois que o FGC passou a administrar o banco, nova surpresa. Além das operações fraudulentas, existiam outras, de difícil liquidação. Daí, o rombo patrimonial ter dado um salto de mais R$ 900 milhões. O BC avisa que os fraudadores não escaparão. Já corre, administrativamente, processo que poderá levar os ex-controladores e administradores à punição máxima, que é a inabilitação para operar no sistema financeiro por 20 anos. Paralelamente, o BC já denunciou os ex-controladores ao Ministério Público com base na Lei do Colarinho Branco. Todos estão com os bens indisponíveis.

AÇÕES “VIRAM PÓ” As ações do Cruzeiro do Sul deixaram, definitivamente, de ser negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) após o BC decretar a liquidação extrajudicial do banco. No jargão do mercado, diz-se que os papéis "viraram pó", o que significa que perderam todo o seu valor investido. Na quinta-feira, último dia de negociação das ações, os papéis terminaram a R$ 2,49, com alta de 24,5%, por causa da possível compra do banco pelo Santander. (Com agências)


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