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Estado de Minas

Casas de BH reduzem valores de vinhos e festejam aumento no consumo


postado em 09/09/2012 07:35

Com rótulos mais em conta, o empresário Afonso Alberto passou a consumir a bebida no restaurante(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Com rótulos mais em conta, o empresário Afonso Alberto passou a consumir a bebida no restaurante (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Reconhecidos pelos preços salgados, que facilmente levam a conta de um almoço ou jantar a ultrapassar a casa dos R$ 200, os vinhos apreciados em restaurantes se tornaram, para muitos, um luxo exclusivo de ocasiões especiais. Isso porque é cada vez mais restrito o grupo de pessoas dispostas a pagar valores que chegam a ser duas vezes e meia superiores aos praticados nas gôndolas dos supermercados. Empenhados em mudar essa cultura e garantir acessibilidade ao vinho – semelhante ao que já ocorre em países da Europa –, restaurantes da capital implantam uma série de políticas para garantir a popularização da bebida. As estratégias vão desde a eliminação da cobrança da rolha até a adoção de preços semelhantes aos encontrados em lojas e importadoras.

É o que o restaurante Santafé começou a fazer desde 19 de agosto. “Trocamos o nosso cardápio e colocamos os preços semelhantes aos de gôndola”, conta o sommelier da casa, Gilson Neto de Freitas. Para se ter uma ideia, uma garrafa do chileno Terranoble Cabernet Sauvignon safra 2010, passou de R$ 55 para R$ 39,80, enquanto o espanhol Pharos Tempranillo teve uma redução ainda mais significativa de preços, de R$ 70 para R$ 44, queda de quase 40% no valor. “Toda a nossa carta, atualmente com 140 rótulos, foi revisada. Temos vinhos com preço que parte de R$ 32,80, como o Casa del Maipo cabernet sauvignon”, diz Freitas.

Em pouco mais de 20 dias, o sommelier já calcula alta de 15% no consumo e na frequência de clientes. “Queremos atrair mais pessoas para a casa e ganhar na comida porque é a culinária que fideliza. A pessoa terá um prazer maior em apreciar a refeição com o acompanhamento do vinho”, avalia Freitas. A expectativa é de que os cerca de 20% do faturamento da casa, antes provenientes do vinho, sejam compensados com o aumento da frequência e consumo.

Se a ideia pegar, o sócio-proprietário da Rede Gourmet (grupo de restaurantes que engloba o Santafé, Olegário Pizzaria, Udon, Villa Madalena, Armazém Medeiros e Choperia Germano), Agilberto Martins da Costa, cogita a possibilidade de expandir a medida para suas outras casas. O empresário Afonso Alberto Fernandes reconhece que a política atrai sua frequência à casa. “Costumo beber vinho de duas a três vezes por semana, mas mais em casa. Com custo menor, venho mais ao restaurante”, conta.

SUCESSO GARANTIDO
Há cinco anos com a filosofia de vender vinhos a preço de loja, o Amadeus chega a vender mais de 100 garrafas todos os dias. “Não tenho exclusividade com importadora. Compro de 35 diferentes e coloco os preços, no máximo, iguais aos praticados pelo importador”, conta o proprietário do restaurante, Luis Eugênio Torres, que implantou o sistema no Chez Fumoir, aberto em fevereiro.

Um Chandon Reserva Brut, que no mercado é encontrado por cerca de R$ 55, no Amadeus é vendido por R$ 54,88. O chileno Marques de Casa Concha cabernet sauvignon, comercializado por R$ 96, pode ser consumido por R$ 94,88 no restaurante. “Com isso, se em 2007 eu vendia R$ 10 mil por mês em vinhos, hoje este valor chega a R$ 170 mil. Entre agosto deste ano e o mesmo mês do ano passado, a alta foi de 12% no consumo”, conta. A rolha também não é cobrada.


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