A Alemanha, cujo "milagre econômico" é considerado um exemplo por seus vizinhos, publicou nas últimas semanas uma série de dados ruins, que demonstram que o país já não está a salvo das consequências da grave crise atravessada pela zona do euro.
Em junho, a produção industrial alemã registrou uma queda maior que a esperada, de 0,9%, de acordo com os dados publicados nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia. Na terça-feira, o Ministério tornou públicas as cifras dos pedidos industriais, que recuaram 1,7% em junho, muito acima que o previsto pelos analistas.
As notícias ruins se somam à publicação de outros indicadores, que demonstram que as dificuldades de seus vizinhos da zona do euro começam a afetar a economia alemã. A taxa de desemprego aumentou em julho pela primeira vez em meses, ao mesmo tempo em que recuam as vendas ao varejo (em junho), as vendas de carros (-5% anual em julho) e os pedidos de máquinas (-1% interanual em junho), um dos setores-chaves da economia alemã.
"A evolução dos pedidos, assim como dos indicadores da atividade, anunciam um novo recuo da atividade nos próximos meses devido à crise na zona do euro", disse Catherine Stephan, analista do BNP Paribas.
Para Andreas Rees, economista de UniCredit, "a grande pergunta é se as empresas e os consumidores alemães podem resistir à crise da zona do euro e, se podem, durante quanto tempo". Contudo, até o momento, a crise tem afetado menos a Alemanha que a seus sócios europeus.
Um sinal disso é a renovada confiança da agência de classificação financeira, Fitch, que manteve nesta quarta-feira a nota "Triplo A", a melhor possível, para a dívida de longo prazo da Alemanha, conferindo-lhe uma perspectiva estável. Já a economia francesa caminha para a recessão, conforme afirmou nesta quarta-feira o banco central do país, que projeta contração de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre.
No conjunto da zona do euro, a contração da atividade privada continuou em julho, o que reduziu um pouco mais a esperança de ver uma melhora da situação econômica do terceiro trimestre. O desemprego da zona do euro se manteve em junho em 11,2%, um recorde, e poderá continuar aumentando, segundo especialistas do setor.
Até agora, Berlim conseguiu apoiar-se em sua balança comercial positiva para estimular sua economia. O excedente comercial de junho do país alcançou 17,9 bilhões de euros, contra 15,6 bilhões em maio, de acordo com cifras publicadas nesta quarta-feira pela agência federal de estatísticas.
A Alemanha tem conseguido evitar as dificuldades de seus vizinhos graças à demanda dos países emergentes por máquinas e carros, entre outros produtos, mas essa situação pode mudar, alertam economistas.
