Brasília – A diretoria da Petrobras tentou ontem acalmar os investidores depois da divulgação, na sexta-feira, de um prejuízo líquido de R$ 1,34 bilhão no segundo trimestre — o primeiro em mais de 13 anos –, prometendo uma breve volta ao lucro. Mas acabou deixando bem claro aos consumidores que a defasagem acumulada nos preços dos combustíveis foi um dos principais fatores para a companhia ter afundado no vermelho, acenando com a necessidade de novos reajustes nas bombas.
Sobre a necessidade de correções nas tabelas dos combustíveis, a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que espera sempre por novos aumentos, enfatizando que a política de preços da empresa não pode ser avaliada levando-se em consideração só um trimestre. Ela afirmou que apresenta "sistematicamente" ao governo o problema da disparidade de preços dos combustíveis, em toda a reunião do conselho de administração da estatal.
Na última reunião, na sexta-feira, Foster voltou a martelar que a disparidade persiste. “O reajuste tem que ser periódico e não instantâneo, pois a política de preços é de médio e longo prazos. Como presidente da Petrobras, tenho que trabalhar a favor da paridade (interno e externo)", declarou. O controle estatal dos preços dos combustíveis é uma das estratégias mais antigas do governo para controlar a inflação. No geral, se a gasolina sobe, a inflação também. No dia 25, a Petrobras aumentou os preços da gasolina (7,8%) e do diesel (3,9%) nas refinarias, mas com o seu impacto amortecido pela retirada, pelo governo, de um imposto (Cide), para que a alta não chegasse ao consumidor. A diferença em próximos reajustes é que o Planalto não dispõe mais da manobra de renúncia fiscal.
A defasagem de preços da gasolina e do diesel vendidos no Brasil levaram a Petrobras registrar perdas de R$ 9,97 bilhões no segundo trimestre, acima do que já havia perdido de janeiro a março (R$ 7,1 bilhões). Segundo o diretor-financeiro da estatal, Almir Barbassa, a distorção se deveu à combinação de petróleo importado mais caro e preços de produtos refinados a um custo menor no mercado interno.
Graça Foster afirmou ter "extrema confiança" de que a estatal alcançará resultados positivos nos próximos trimestres, contornando outros problemas como desvalorização do real, queda na produção e maiores custos na exploração. "Sabemos quais ações precisam ser feitas no curto, médio e longo prazos. Nossas reservas estão presentes, nossas descobertas têm sido constantes e nosso conhecimento é capaz de reverter o resultado negativo", prometeu.
Dividendos Almir Barbassa também assegurou que os resultados financeiros ruins não vão alterar a política de dividendos, pelo menos para os detentores de ações preferenciais (PN). O pagamento a quem tem ações ordinárias (ON) poderá, contudo, ser afetado e será discutido no conselho de administração da estatal, em data a ser definida. "Se olhados pelo mínimo de 25% que somos obrigados a distribuir, os dividendos para quem tem ONs poderão ficar afetados pelo prejuízo", disse. "Já os dividendos para as PNs não devem ser afetados porque têm outro parâmetro, que é 3% do valor em patrimônio líquido", acrescentou.
