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Estado de Minas

Cidades que começaram a exportar em 2011 apontam caminho além das commodities


postado em 21/06/2012 06:00 / atualizado em 21/06/2012 07:21

O trio imbatível da pauta das exportações de Minas Gerais, formado por minérios, café e produtos siderúrgicos, perdeu a vez, curiosamente, nos registros das empresas que estrearam no comércio do estado com o exterior ou retomaram os negócios no mercado internacional no ano passado . Móveis, roupas, granitos, instrumentos médicos, calçados, aparelhos transmissores e receptores, batatas e cachaça alçaram 26 municípios ao ranking de exportadores do estado. Desse universo, só quatro cidades despacharam as tradicionais commodities (produtos agrícolas e minérios cotados fora do Brasil) que historicamente respondem por mais de dois terços da receita das vendas externas mineiras.

A despeito da crise internacional, esse retrato incomum da diversidade na geografia mineira das exportações representa um sonho antigo de diversificação da economia. Isso embora a contribuição desses estreantes tenha sido de apenas US$ 43,07 milhões no ano passado, ante um bolo total de US$ 41,4 bilhões apurados pelo estado no exterior. O valor dos embarques de produtos tão variados foi contabilizado pela Central Exportaminas, braço da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas em parceira com instituições privadas da indústria e do comércio. Os dados constam do Panorama do Comércio Exterior de Minas Gerais 2012, apresentado ontem.

Do universo de 1.604 empresas exportadoras a partir de Minas em 2011, 236 foram consideradas estreantes no conceito que leva em conta quem exportou no ano passado e não havia aparecido nos registros do comércio exterior em 2010. Não quer dizer que elas nunca tenham exportado. As cifras apuradas no exterior somaram, no máximo, US$ 1 milhão por empresa para 89% delas. Se a iniciativa merece destaque, não se pode esquecer que o movimento é frágil e que depende da capacidade das empresas de se firmarem como exportadoras, reconhece a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck. “Aumentar as exportações, para quem está começando no mercado internacional, leva entre três e seis anos e não basta que o dólar tenha se valorizado. O importante para o exportador é um dólar estável, que dê condições a ele de exportar com regularidade”, afirma.

O levantamento feito pela Central Exportaminas sobre os municípios estreantes considera os grupos de produtos conforme a classificação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O critério para eleger as cidades é o local de registro da exportação, que pode não coincidir com o da produção daquele item. Há casos em que o envio de amostras ao exterior já é contabilizado como exportação realizada e muitas vezes nem mesmo as prefeituras têm conhecimento das operações.

Consolidação

O desafio, agora, para esses exportadores sem tradição no comércio exterior é consolidar a iniciativa, atendendo as exigências dos clientes. É o exemplo do município de Tarumirim, no Vale do Rio Doce, que entrou para o grupo de exportadores graças à cachaça Lenda Mineira. O dono da empresa, Rafael Ribeiro Alves, confessa estar perdendo o interesse no mercado internacional. “Com o dólar baixo, não estava valendo a pena. Mantive o cliente, mas quando a gente fala em ajustar os preços ele não aceita”, afirma.


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