O Banco Central Europeu (BCE) manteve nesta quarta-feira sem alterações sua principal taxa de juros, a 1%, o nível mais baixo de sua história, e seu presidente, o italiano Mario Draghi, pediu aos dirigentes da União Europeia uma visão de longo prazo sobre o futuro da zona do euro, imersa em uma grave crise da dívida.
A maioria dos economistas esperava por esta decisão, apesar do agravamento da crise da dívida na Eurozona, alimentada pelo bloqueio político na Grécia e pelos temores sobre o frágil sistema bancário espanhol. "Alguns membros (do BCE) preferiram um corte da taxa de juros hoje, mas não muitos", reconheceu o presidente do BCE, que afirmou que a decisão foi tomada com amplo consenso.
Draghi pediu também a apresentação de uma visão de longo prazo mais clara para a moeda comum europeia no próximo encontro da União, de 28 e 29 de junho, em Bruxelas. "O que temos em mente é a definição de todas as condições que teremos que cumprir para atingir esse objetivo", disse Draghi durante uma coletiva de imprensa. "O simples fato de termos uma meta contribuiria para estabilizar a situação financeira na Europa", completou.
Segundo o presidente do BCE, as profundas reformas de alguns países europeus "não são suficientes" e os benefícios gerados por ela só acontecerão se for possível visualizar onde estará o euro dentro de cinco ou dez anos. Draghi, no entanto, negou que seu pedido comprometa a independência da instituição que preside. "É melhor ser parte da solução que ficar fora do processo. Potencialmente, é um trabalho muito importante e vamos contribuir com nossos conhecimentos e nossa experiência", afirmou.
Draghi também pediu que o pacto fiscal, firmado por 25 dos 27 países da União Europeia e que busca para reforçar a disciplina orçamentária, avance para estabilizar a crise da dívida. "Países como Espanha, Itália, Portugal, Irlanda e inclusive Grécia têm empreendido um esforço enorme e têm conseguido progressos consideráveis. Agora temos que continuar completando-os", disse o presidente.
Contudo, Draghi disse que a situação na zona do euro distoa da observada após a quebra do banco de negócios, Lehman Brothers, em setembro de 2008. "Estamos preocupados, mas estamos longe daquela situação", disse o presidente em resposta à preocupação manifestada em particular nos Estados Unidos sobre as possíveis repercussões no resto do mundo da crise que atravessa a zona do euro.
O BCE revisou nesta quarta-feira para baixo sua previsão de crescimento para a zona do euro em 2013 e manteve suas previsões de inflação com relação a suas previsões anteriores do mês de março. O banco decidiu também prolongar a política favorável aos bancos, ao oferecer liquidez com juros fixos e quantia ilimitada até pelo menos 15 de janeiro de 2013.
O BCE decidiu, no entanto, não lançar um terceiro empréstimo a três anos (LTRO) depois que daqueles concedidos em dezembro e fevereiro no valor de 1 trilhão de euros. "Teremos que comprovar exatamente quais são as condições de financiamentos dos bancos. Não cremos que as possibilidades do segundo LTRO tenham sido totalmente aproveitadas", disse Draghi.
Segundo o presidente do BCE, estas medidas favoráveis aos bancos não são "nem infinitas nem eternas", assim como o programa de dívida pública do mercado secundário, que começou em maio de 2010, mas que está parado desde fevereiro. Os bancos não emprestam mais ao consumidor privado nem às empresas e depois de ter comprado importantes quantidades de dívida pública no primeiro trimestre, eles têm reduzido fortemente suas compras em abril.
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BCE mantém juros a 1% e pede visão clara de metas para o euro
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