Exportação e investimento estrangeiro, as duas estratégias que entram na rota dos países em crise é uma aposta da Itália para superar a tormenta financeira mundial que abateu os países do bloco europeu. Como bom e tradicional parceiro o Brasil está na mira, entre as principais apostas. Essa semana uma missão de 250 empresas italianas visitam o país em busca de oportunidades de negócios e em Minas o governo do estado acaba de assinar acordo com o banco italiano Simest. Os recursos inicias na ordem de R$ 2 bilhões vão financiar empresas italianas dispostas a investir ou expandir negócios no estado. Cerca de 150 empresas de capital italiano operam em Minas, especialmente nos setores da indústria mecânica e automobilística.
O Simest é uma instituição italiana controlada pelo Ministério de Desenvolvimento Econômico do país europeu criada para promover investimentos no exterior. Sem detalhar a próxima parceria à vista, a secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais Dorothea Werneck apontou que está em curso negociação com um segundo banco italiano onde serão disponibilizadas linhas de crédito para capital de giro. “Nesse segundo acordo possivelmente haverá participação do BDMG.” Segundo a secretária três empresas italianas devem anunciar investimentos em Minas nos próximos meses. Além do grupo, a empresa Adria também estuda expandir seus investimentos no estado.
O acordo é um desdobramento da missão empresarial liderada pelo governador Antonio Anastasia à Itália em março e foi assinado no seminário Itália-Brasil. A delegação visitou polos industriais e de negócio em Belo Horizonte e também nas cidades de São Paulo, São José dos Campos, Curitiba e Santos. Minas Gerais é o principal parceiro comercial da Itália no setor automotivo e mecânico. Para o Brasil em 2011, a Itália foi a 9ª parceira comercial nas exportações e a 11ª nas importações. Nacionalmente, o país exporta para a Itália principalmente commodities e a necessidade de valorização da pauta pode ser mais uma oportunidade trazida pela parceria entre os dois países. “As empresas italianas poderão operar no estado também com joint ventures”, ressalta Dorothea Werneck.
Qualificação O vice-presidente da Federação das Indústria de Minas Gerais (Fiemg), Romeu Scarioli ressaltou o peso da parceria para a qualificação da mão de obra e também como intercâmbio positivo para as micro e pequenas empresas já que o país tem desenvolvido o segmento que é forte exportador com grande conteúdo de inovação trabalhando de formas regionalizadas e altamente especializada.”
Entre 2003 e 2011, houve crescimento de 254,8% do comércio bilateral entre Minas Gerais e a Itália. As exportações apresentaram crescimento de 222,0% neste período, enquanto as importações avançaram 303,5%. Em 2011, a Itália ocupou a 8ª posição entre os principais destinos das exportações mineiras. O total mineiro exportado foi de US$1,32 bilhão, apresentando aumento de 59,5% em comparação a 2010. O Café foi a estrela das exportações no período com venda equivalentes a US$ 559,2 milhões, representando 42,3% do total exportado em 2011. As exportações para o destino totalizaram US$ 303,11 milhões de janeiro a abril com queda de 19,4% em relação ao mesmo período de 2011.
Alerta para o protecionismo
Marta Vieira
Como reação à crise econômica da Europa, as empresas do Velho Continente deverão investir nas exportações e conter os seus investimentos estrangeiros, estratégia que tende a intensificar os efeitos da turbulência no continente sobre países como o Brasil. O alerta foi dado, ontem, pelo industrial Stefan Bogdan Salej, embaixador da Eslovênia no país e representante na Organização das Nações Unidos (ONU), ao falar a empresários sobre os desafios da indústria na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). “As empresas europeias vão se tornar mais agressivas no mercado internacional e retomar todo o dinheiro investido no exterior para se fortalecerem. Acredito também numa onda de protecionismo”, afirmou.
Os ajustes na economia europeia devem demorar, segundo Stefan Salej, que defendeu medidas adicionais às já anunciadas recentemente pelo governo federal para reanimar o setor. O país tem de ir além da desoneração da folha de pagamento de 15 segmentos da indústria brasileira, do reforço das linhas de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, ações consideradas conjunturais pelo industrial.
“O governo agiu na crise, mas a médio e longo prazo é necessário pensarmos num pacto com empresários e trabalhadores para a definição de um plano de desenvolvimento econômico”, disse Stefan Salej, que presidiu a Fiemg entre 1995 e 2002. Na visão do industrial, os modelos de enfrentamento de crises econômicos e de economias que prosperaram no mundo envolveram diálogo e cooperação entre governos, iniciativa privada e a classe trabalhadora. Ele pregou, ainda, uma política industrial estruturada, como parte desse plano estratégico de crescimento.
Europa longe de um acordo
BRUXELAS E BERLIM – Líderes da União Europeia, aconselhados por assessores a preparar planos de contingência em caso de a Grécia decidir abandonar a Zona do Euro, instaram o país a manter os planos de austeridade e completar as reformas exigidas pelo programa de resgate internacional. Depois de quase seis horas de diálogo durante um jantar informal, líderes disseram que estavam comprometidos com a permanência da Grécia na Zona do Euro, mas que o país tem de manter a sua parte no acordo, um compromisso que custará caro para os gregos. “Queremos que a Grécia fique na Zona do Euro, mas insistimos que a Grécia se apegue aos compromissos acordados", disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a jornalistas, depois de uma reunião informal de líderes da União Europeia em Bruxelas, na Bélgica.
Três autoridades disseram que as instruções para ter um plano na manga se a Grécia deixar o euro já foi acordado na segunda-feira durante uma teleconferência do Grupo de Trabalho do Eurogrupo, formado por especialistas que trabalham para os ministros das Finanças da zona do euro. O ministro das Finanças grego negou que havia tal acordo, mas o ministro belga, Steven Vanackere, disse: “Todos os planos de contingência (para a Grécia) voltam para a mesma coisa: ser responsável como um governo é para prever até mesmo o que você espera evitar.”
Um documento detalha os custos potenciais para Estados membros individuais com uma eventual saída da Grécia e indicou que se isso acontecer, um “divórcio amigável” deve ser buscado com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em sua primeira cúpula da UE, o presidente da França, François Hollande, propôs a emissão de eurobônus como uma próxima medida de integração econômica na União Europeia, apesar da consistente oposição alemã à ideia. “Eu não estava sozinho na defesa dos eurobônus”, disse.
A chanceler alemã, Angela Merkel, não mostrou sinais de que retirará suas objeções à proposta que, segundo ela, poderá apenas ser discutida quando houver mais união fiscal na Europa. Holanda, Finlândia e outros membros menores da Zona do Euro apoiam Merkel. Nenhuma grande decisão foi tomada na cúpula, que tinha o objetivo de promover ideias para gerar empregos e crescimento. Haverá outro encontro no fim de junho.
Mas o debate foi intenso, não apenas sobre o eurobônus, mas sobre como resgatar bancos e se é possível dar mais tempo para países com dificuldades na Zona do Euro atingir suas metas no déficit orçamentário. “Não nos reunimos para enfrentar uns aos outros... mas temos de dizer o que pensamos, quais são os instrumentos certos, os métodos corretos, os passos certos, as iniciativas certas para estimular o crescimento”, disse Hollande.
Acordo Na Alemanha, a oposição e o governo estão perto de assumir o compromisso para dar o apoio necessário a um pacto fiscal europeu, uma vez que, segundo os oposicionistas, Merkel reduziu sua resistência às medidas de crescimento complementares ao pacto com regras orçamentárias mais rígidas. Os comentários foram feitos por líderes social-democratas e verdes após reunião com a coalizão que apoia Merkel. “Merkel e o governo têm claramente se aproximado de nossas demandas”, afirmou o líder do partido Social Democrata, Sigmar Gabriel. “Houve um avanço no bloco governista a respeito dessas questões que envolvem crescimento”, acrescentou.
A aprovação do pacto fiscal, o qual está ligado ao fundo permanente de resgate europeu, ficou incerta porque os partidos de oposição alemães querem que as medidas orçamentárias mais rígidas do pacto sejam complementadas por iniciativas para o crescimento. Como essa reivindicação deve ser debatida na Europa, qualquer votação na Alemanha poderia ser adiada. Se nenhum acordo for encontrado até o fim de junho, o fundo permanente de resgate europeu, o mecanismo de estabilidade do continente, não poderá ser lançado em 1º de julho, como planejado.
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Itália busca negócio em Minas
Parceria do estado com banco Simest abre linha de R$ 2 bilhões para financiar empresas do país do Velho Continente que investirem para amplir ou se instalar em cidades mineiras
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