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Estado de Minas

Fevereiro foi de deflação em BH

Preços recuam 0,08%, em média, depois de subirem acima do esperado em janeiro, mas acumulado em 12 meses supera teto


postado em 06/03/2012 07:11 / atualizado em 06/03/2012 07:13


Passagens aéreas e pacotes de viagem foram os itens cujo preço mais caiu em fevereiro, em função do fim da alta temporada(foto: Renato Weil/EM/D.A/Press)
Passagens aéreas e pacotes de viagem foram os itens cujo preço mais caiu em fevereiro, em função do fim da alta temporada (foto: Renato Weil/EM/D.A/Press)

Em um movimento atípico para fevereiro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Fundação Ipead/UFMG apresentou retração de 0,08% frente a janeiro. O resultado é o menor para o período desde 2006, quando o índice fechou em queda de 0,13%. Um alento para os consumidores, que viram o IPCA estrear 2012 com elevação de 2,60%, maior variação em 10 anos. Apesar do bom resultado no último mês, o índice ainda acumula alta de 6,77% nos últimos 12 meses, percentual que supera o teto da meta de 6,5% esperada para este ano.

A deflação, na visão do coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Fundação Ipead/UFMG, Wanderley Ramalho, não deve durar muito tempo. “A inflação está voltando para o leito normal e a tendência é de que esse cenário se mantenha”, avalia. O susto de janeiro, quando o IPCA variou 40% do esperado para todo o ano, é justificável. “Neste mês foi medida uma confluência de fatores como reajuste de preços dos transportes urbanos, educação, táxis, salário mínimo, o que justificou o resultado. Agora, era normal que ocorresse essa acomodação”, pondera o especialista, que prevê inflação menor para 2012, na comparação com 2011, quando cravou os 7,22% em Belo Horizonte. “Acredito que o resultado anual fique pouco acima do centro da meta, de 4,5%”, acrescenta.

A maior contribuição para o resultado de fevereiro veio do grupo alimentos de elaboração primária – como carne, arroz, leite e feijão –, que registraram deflação de 1,05%. Sem contar a queda de 1,16% de artigos de vestuário e complementos, que passaram o último mês em liquidação na maioria das lojas da capital e acabaram puxando o índice para baixo.

Entre os itens que mais baratearam em fevereiro estão passagem aérea e excursões (veja quadro). O fim do período de férias e, consequentemente, da alta temporada, justifica o comportamento dos preços destes itens, que são fortemente pressionados pela ampliação da demanda. A regularização do período chuvoso é outro fator que ajudou a domar os efeitos do dragão na economia, sendo comprovado pela queda do tomate e quiabo.

Alívio na cesta básica A queda no custo da cesta básica em 4,81% também reflete a melhoria das condições climáticas. Neste levantamento, o tomate caiu 24,92% entre janeiro e fevereiro, sendo responsável pela maior contribuição no resultado. Da retração total de 4,81%, o hortifruti respondeu por 2,63%, quase 55% do total.

Outros 42% vieram da carne, que ficou 5,39% mais barata no período, fazendo com que o produto essencial respondesse por queda de 2,03% da variação total. Com pastos verdes e boi mais gordo, a safra do produto finalmente começou, ampliando a oferta. Feijão (-2,13%) e açúcar cristal (-2,22%) estão entre os seis produtos do total de 13 pesquisados que também ficaram mais baratos.

Na outra ponta estão, entre outros, leite (2,03%), manteiga (1,54%), arroz (2,12%), café (1,20%) e óleo de soja (1,74%) que evitaram uma queda ainda mais expressiva no preço da cesta básica, que encerrou mês cotada a R$ 264,28, valor que consome 42,49% do salário mínimo.


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