A agência de classificação de risco Fitch confirmou nessa sexta-feira a nota AAA da economia francesa, mas rebaixou a perspectiva da nota de estável para negativa, afirmando que o crédito do país pode sofrer pressão da piora na situação econômica e financeira da Zona do Euro. Segundo a Fitch, há uma chance levemente maior que 50% de o rating da França ser rebaixado.
A Fitch alertou ainda que pode rebaixar outros seis países da Zona do Euro: Bélgica, Chipre, Eslovênia, Espanha, Irlanda e Itália. A agência explicou que a classificação de crédito da França é sustentada pela riqueza do país e a diversidade da economia e assinalou que o governo conservador do presidente Nicolas Sarkozy adotou diversas medidas para fortalecer suas finanças. Por outro lado, a agência disse que a dívida pública francesa pode atingir 92% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014.
No mesmo comunicado, a Fitch alertou que pode rebaixar algumas outras economias de grande porte na região, notadamente Itália e Espanha. A agência afirma que, após a cúpula da União Europeia na semana passada, “concluiu que uma ampla solução para a crise na Zona do Euro está técnica e politicamente fora de alcance”.
A Fitch pretende concluir até o fim de janeiro a revisão dos seis países da Zona do Euro ameaçados na avaliação de nessa sexta-feira e estuda a possibilidade de rebaixá-los em um ou dois graus.
Autoridades francesas e investidores temiam que a França pudesse ser rebaixada, o que teria graves repercussões sobre os esforços europeus para conter a crise da dívida. As classificações AAA da França e da Alemanha sustentam o risco do fundo de resgate da Zona do Euro.
Três dos 17 países do bloco já receberam empréstimos – Grécia, Irlanda e Portugal. Os investidores temem que o custo de financiamento de Espanha e Itália suba tão rapidamente que ambas precisem também de ajuda financeira. Os dois países são considerados grandes demais para que possam ser resgatados pelo fundo europeu.
Com o temor sobre as notas, os principais índices das bolsas europeias fecharam em baixa nessa sexta-feira, registrando também perdas ao longo da semana. Londres sofreu perda de 0,25%; Paris, de 0,88% e Frankfurt recuou 0,50%.
Itália
O governo da Itália venceu com folga uma moção de confiança na Câmara Baixa do Parlamento sobre o pacote de austeridade. As medidas foram aprovadas por 495 votos a favor e 88 contra. A aprovação ocorre no momento em que várias greves de trabalhadores dos setores público e privado atingem o país, com os sindicatos protestando contra as medidas de austeridade. O pacote, no total de 30 bilhões de euros, se somará a um pacote anterior de 54,2 bilhões de euros aprovado no final do governo Berlusconi em setembro. O primeiro-ministro Mario Monti convocou a votação para acelerar a aprovação do pacote de austeridade, que é vital para salvar a Itália do desastre financeiro.
Mantega pessimista
Em São Paulo, ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a ressaltar que há risco de as economias avançadas passarem por recessão. De acordo com o ministro, o quadro internacional tem se agravado e há vários indicadores que confirmam esta situação. "Temos lido na imprensa informações desta piora da economia internacional, com indicadores que alguns dias melhoram e outros dias pioram, mas esta é a pior crise desde 1929", disse Mantega, ponderando que a crise atual é um prosseguimento da crise de 2008.
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França se "salva", mas com ressalva
Agência mantém nota do país, porém rebaixa perspectiva de estável para negativa. Seis países seguem ameaçados
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