
O velho “conto do vigário” está à solta entre as empresas que vendem consórcios de imóveis. Em Belo Horizonte, pelo menos vinte pessoas foram lesadas com o famoso golpe. De acordo com as investigações, um grupo de estelionatários anunciava empréstimos para aquisição da casa própria em jornais de grande circulação e, ao ser contatado, iludia as vítimas, alegando que a partir do depósito de um determinado valor, cartas de crédito seriam liberadas, o que não ocorria. Quatro dos golpistas estão presos e foram apresentados pela Divisão Especializada de Investigação de Crime Contra o Patrimôni(DICCP) nesta terça-feira.
“Na verdade, ao assinar o contrato, a pessoa, além de perder dinheiro, entrava em um consórcio sem saber. Muitas deram de R$ 10 mil a 15 mil de entrada e ainda pagavam prestações, sem nunca receberem crédito algum”, explica o delegado Islande Batista, responsável pelas investigações.
Conforme o delegado, o golpe era aplicado por meio da Real Cred Consultoria e Representações de Consórcio LTDA, e o escritório funcionava na Avenida do Contorno, número 9.059, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul da capital. Ainda segundo o policial, o grupo agia desde 2007 e a suspeita é de que tenha lucrado em torno de R$ 1,5 milhão. De acordo com o delegado, o escritório em BH até é registrado como representante de várias empresas, "mas as instituições não sabiam que os clientes estavam sendo enganados dessa forma”, diz.
Alerta
O delegado alerta que a falta de uma leitura criteriosa do contrato pode ser o início de uma emboscada. “Depois da assinatura e de pagar algumas prestações, a vítima descobre que foi enganada e comprou um consórcio novo". Ainda segundo o delegado, o problema é que há muitas pessoa não confiáveis no mercado e vários clientes são leigos e não entendem o contrato. “Eles anunciam as ofertas de empréstimos em jornais em jornais cuja oferta é tentadora."O ideal é não acreditar em ofertas mirabolantes e não assinar qualquer documentação sem procurar os orgãos de defesa do consumidor e até a delegacia", conclui.
Prisões
Ao todo, cinco pessoas acusadas do golpe tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça, mas uma está foragida. Os presos são: Jurandir Dias Vieira, de 45 anos, Cláudio Ernane Cândido, 39 e Fernando Elias de Oliveira, de 46 anos. O quinto suspeito, João Elias de Oliveira se encontra foragido. Segundo o delegado, os suspeitos vão responder por estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. As penas para o crime de estelionato varia de 1 a 5 anos de prisão, formação de quadrilha de 1 a 3 e lavagem de dinheiro de 3 a 10 anos.
