
Não há uma data oficial para as eleições antecipadas no ano que vem, uma vez que a data de 19 de fevereiro serve apenas de referência. Até lá, Papademos deverá aplicar o acordo firmado por líderes da Zona do Euro para o resgate da Grécia. O plano inclui um novo aporte financeiro ao país no valor de 130 bilhões de euros e redução em 50% da dívida do país.
Para ele, o país encontra-se numa “encruzilhada crucial”. “As escolhas que nós faremos serão decisivas para o povo grego. O caminho não será fácil, mas eu estou convencido de que os problemas serão resolvidos mais rápido e a um custo menor se houver união, compreensão e prudência.” A União Europeia (UE) havia cobrado “uma mensagem de firme compromisso” de que o novo governo fará o necessário para deixar a crise e o enorme endividamento de seu país para trás. O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, indicaram em comunicado que a saída deve ser baseada na consolidação fiscal e nas reformas estruturais “para impulsionar o potencial de crescimento grego e criar urgentemente os empregos necessários”.
O mercado financeiro foi marcado pela volatilidade. Na Europa, a incerteza política na Itália pesou mais do que a mudança no comando da Grécia. Londres fechou em baixa de 0,28%; Paris caiu 0,34%; Frankfurt subiu 0,66%; Milão fechou em alta de 0,97%; Madri teve perda de 0,36% e Lisboa desvalorizou 0,48%. A Bovespa inverteu a tendência do dia e encerrou com queda de 0,40%, a terceira consecutiva.
Agora, o foco está na Itália, mas também cresce a preocupação com a França, que também viu o seu custo de financiamento subir. Em raro episódio, a agência de classificação de risco Standard & Poor's divulgou erroneamente mensagem sugerindo que o rating francês, atualmente no patamar máximo do triplo A, havia sido rebaixado. Segundo a S&P, o comunicado foi uma “falha técnica” que já está sendo investigada.
O vice-presidente para assuntos econômicos e monetários da Comissão Europeia, Olli Rehn, alertou que “a economia parou de crescer na região” e que de fato existe o risco de uma nova recessão na Zona do Euro. A UE cortou drasticamente suas previsões de crescimento para os países da região no próximo ano – de 1,8% para 0,5%. A Itália representa um “perigo claro e presente para a Zona do Euro” e a hora da verdade aproxima-se rapidamente, declarou o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. (Com agências)
Brasil terá de se fortalecer
Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nessa quinta-feira que o agravamento da crise internacional exige o fortalecimento da economia brasileira. Segundo ele, a crise que já afeta os países avançados é de difícil solução. Mantega destacou a dificuldade dos europeus em conseguirem encontrar uma solução para o problema de dívida soberana dos países e do sistema bancário. O ministro destacou que novos países, como a Itália, estão entrando na crise, o que a torna mais grave. “Os problemas estão se agravando. Quando falávamos de Grécia, falávamos de periferia. A Itália é um país grande”, destacou. “Acho que vão resolver, mas temos que estar preparados para o baixo crescimento econômico no mundo nos próximos anos”, completou o ministro.
Mantega disse que embora a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, tenha afirmado que o mundo terá uma década perdida, o Brasil não terá. ‘Temos condições de neutralizar os resultados dessa crise sobre Brasil. Isso exige trabalho incessante do governo, do Congresso, aprovando leis de interesse do país, e da sociedade como um todo”, afirmou Mantega. Ele destacou que é preciso manter a situação fiscal sólida porque os países europeus “à beira do precipício têm situação fiscal fraca”. "Isso requer trabalho incessante. Não podemos deixar que novos gastos possam nos ameaçar”, afirmou. Para Mantega, a economia brasileira voltará a se acelerar neste fim do ano. Segundo ele, a economia estará em fase de recuperação, em novembro e dezembro.
Apesar de reconhecer que a crise econômica internacional é uma "forte" e "duradoura", a presidente Dilma Rousseff afirmou que ela terá menor impacto na economia brasileira do que aquela enfrentada pelo mundo em 2008. A presidente ainda se mostrou otimista sobre o cenário nacional e afirmou que espera que o crescimento do Brasil em 2012 seja maior do que o deste ano. “Eu acho que o Brasil vai ter um crescimento menos afetado dessa vez do que teve de 2008 para 2009”, afirmou Dilma.
Medidas O Ministério da Fazenda já trabalha na elaboração de medidas que poderão ser adotadas para garantir um crescimento econômico mais forte em 2012. Na avaliação da equipe do ministro Guido Mantega, o cenário internacional continuará negativo por um período prolongado, o que irá comprometer a capacidade de expansão das economias mundial e brasileira. Por isso, os técnicos começaram a estudar ações para impulsionar o mercado interno, numa estratégia semelhante à utilizada em 2009, depois do agravamento da crise financeira iniciada nos Estados Unidos.
