O impacto da recente alta do dólar no setor industrial atacadista impulsionou a leve aceleração da primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), de setembro para outubro (de 0,43% para 0,45%). De acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o efeito cambial atingiu em cheio a inflação industrial que saltou de 0,36% para 0,59% de setembro para outubro, no âmbito da primeira prévia.
Quadros explicou que o setor industrial conta com vários produtos em preços cotados em dólar e, com a desvalorização do real, estes são puxados para cima. Um dos exemplos é o minério de ferro, cuja taxa de inflação acelerou de 2,97% para 4,03% de setembro para outubro. Este produto, que sofre reajustes em caráter trimestral pela Vale, não sofreu nenhum aumento recente. "Isso foi efeito cambial", afirmou o técnico.
Quadros lembrou que o efeito do dólar na inflação atacadista já tinha sido observado no desempenho do IGP-DI de setembro. Sobre o fechamento do IGP-M de outubro, o especialista acha cedo para projetar a taxa do mês próxima a de setembro (0,65%), mesmo com os desempenhos das duas primeiras prévias, de setembro e de outubro, tão similares entre si.
"Os alimentos no varejo, em queda, ajudaram muito a conter o avanço da primeira prévia e pode ser que contribuíam ainda mais para reduzir o desempenho do indicador. Vamos esperar para ver. O que sei com certeza é que a taxa do IGP-M mensal está muito distante dos resultados mensais deste indicador no segundo semestre do ano passado", disse, relembrando que a inflação medida pelos IGPs, nos últimos meses de 2010, atingiu resultados mensais acima de 1%, sucessivamente.
