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Estado de Minas

Empresa japonesa compra fabricante de transmissor de TV digital em Minas


postado em 30/09/2011 06:00 / atualizado em 30/09/2011 06:14

Até o fim do ano, os transmissores de TV digital produzidos na fábrica da Linear, no Vale da Eletrônica terão sotaque japonês. A gigante nipônica Hitachi acaba de comprar a primeira empresa de Santa Rita do Sapucaí, desbravadora do polo tecnológico do Sul de Minas, fundada em 1977. O valor da transação não foi divulgado, já que a Hitachi tem ações nas bolsas de Nova York e Tóquio.

A compra, negociada a partir de plano de investimentos na planta de Santa Rita, que será discutido nas próximas semanas entre os executivos mineiros e os orientais, deve levar o faturamento da Linear a pelo menos R$ 90 milhões no próximo ano, segundo a empresa mineira. No ano passado, a companhia, com fábricas em Santa Rita e nos Estados Unidos, faturou R$ 48 milhões. A previsão é de fechar 2011 com R$ 60 milhões de receita total.

Com a expansão, a geração de empregos na unidade brasileira também deve crescer 50%. Hoje, a Linear tem 330 funcionários em Santa Rita e 40 na fábrica americana. A capacidade produtiva atual é de 200 equipamentos por mês. A aquisição, por parte da Hitachi, deve aumentar esse número para 300. A geração de receita é relativa, uma vez que o portfólio inclui produtos cujos preços variam entre R$ 2 mil e R$ 2 milhões.

Os equipamentos da empresa mineira, com foco na TV digital (TVD), estão em mais de 40 países, mas as exportações hoje respondem por apenas 15% do faturamento. Com a chegada dos asiáticos, essa participação deve chegar a 70%, sem perder o mercado nacional, segundo o diretor administrativo da Linear, Carlos Fructuoso.

A estratégia da Hitachi, segundo o representante local da companhia japonesa, Yasu Toshi Mioshi, é manter presença sólida no mercado da América Latina, que tem pela frente calendário de apagões analógicos que são gás para o negócio. Com o desligamento dos sinais analógicos em 2014 no México, 2016 no Brasil e 2019 na Argentina, o fôlego é certo.

Estratégia

No Brasil, por exemplo, a maioria das emissoras de TV leva hoje o sinal digital apenas às capitais dos estados. “Sabemos que a maior parte dessa transição do sinal analógico para o digital vai ser feita mesmo pelas empresas na última hora, como sempre”, aposta Fructuoso, frisando que o ritmo de implantação da TVD no país não o preocupa. Além disso, Mioshi destaca a complementaridade do portfólio: “Eles produzem os transmissores, mas não fabricam, por exemplo, câmeras de broadcast. Vamos unir esforços para ter soluções mais completas”.

Fructuoso aposta na logística. “O foco deles é aproveitar o grande mercado brasileiro e latino americano, e o nosso é aproveitar toda a estrutura de distribuição internacional, incluindo o mercado japonês”, completa Fructuoso. O padrão brasileiro de TV digital foi desenhado a partir do modelo japonês. A empresa mineira agora comemora as coincidências técnicas: “Com simples modificação no programa de computador, nossos equipamentos já estão prontos para funcionar no Japão”, diz o executivo. A Hitachi está no Brasil há 70 anos. Tem unidades em São José dos Campos (SP) e Manaus. A companhia consolidou, em 2010, receita total mundial de US$ 112, 2 bilhões.


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