O rebaixamento da nota de crédito de risco dos Estados Unidos, de AAA para AA+, com perspectiva negativa, pela Standard & Poor's, não deve ter impacto direto nos países emergentes, afirmou na manhã de hoje o diretor-gerente e presidente do comitê de rating soberano da agência de classificação de risco S&P, John Chambers, durante teleconferência.
"Os emergentes levaram pelo menos uma década para arrumar o lado fiscal, eles têm mantido esse lado fiscal em ordem e estão mais fortes hoje do que costumavam ser", disse o diretor. "E lembrem-se de que esse downgrade é de AAA para AA+. Temos quase 20 degraus de AAA para um rating de default. Claro que simbolicamente esse rebaixamento é importante, mas na prática é como ir do azul índigo para o azul marinho", explicou Chambers.
Nota pode voltar a cair
A nota de crédito de risco (rating) dos Estados Unidos pode cair mais nos próximos dois anos, caso o governo norte-americano não consiga cumprir os cortes de gastos prometidos na lei sancionada pelo presidente Barack Obama na semana passada, levando a uma deterioração muito maior do que a prevista no lado fiscal no país, informou hoje a Standard & Poor's, durante teleconferência.
O caminho contrário, no entanto, ou seja, a recuperação do seu rating anterior está mais difícil de ser colocado no cenário, avalia David Beers, diretor para rating soberano global da S&P. "Não há nada no horizonte que sugira a volta do AAA", disse Beers. A agência de classificação de risco rebaixou o rating dos EUA de AAA para AA+, com perspectiva negativa na última sexta-feira. A perspectiva negativa implica que poderá haver novo rebaixamento em até 24 meses.
Um dos motivadores dessa decisão foi justamente o acordo feito entre republicanos e democratas para elevação do teto da dívida norte-americana, de US$ 14,3 trilhões, e redução do déficit no país. O plano prevê um aumento de cerca de US$ 2,4 trilhões no teto da dívida e um corte de pelo menos US$ 2,1 trilhões no déficit nos próximos dez anos.
No cenário básico, a S&P acredita que a dívida geral do governo crescerá de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final de 2011 para 79% em 2015 e para 85% em 2021. No cenário otimista, assumindo que a perspectiva do rating passará para estável, a projeção é de que a dívida geral do governo crescerá de 74% do PIB no fim deste ano para 77% em 2015 e para 78% em 2021.
O cenário pessimista, consistente com o risco de novo downgrade dos EUA, leva em conta que o governo não conseguirá cumprir a segunda rodada de cortes de gastos, de pelo menos US$ 1,2 trilhão, e que os juros nominais dos títulos do Tesouro (Treasuries) ficarão mais altos. Nesse caso, a dívida pública passaria de 74% do PIB em 2011 para 90% em 2015 e 101% em 2021.
Fannie Mae e Freddie Mac
A Standard & Poor's anunciou hoje o corte do rating de algumas entidades ligadas ao governo federal dos EUA, incluindo as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, de AAA para AA+. A perspectiva para os ratings é negativa. "O rebaixamento da Fannie Mae e Freddie Mac reflete sua dependência direta do governo dos EUA", diz comunicado da S&P.
A Fannie Mae e a Freddie Mac possuíam ou garantiam cerca da metade dos títulos hipotecários dos EUA em setembro de 2008, quando foram colocadas sob intervenção do governo dos EUA. Por isso, sua capacidade de financiar operações "depende pesadamente do governo", diz a S&P.
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S&P: nota dos EUA não impacta diretamente emergentes
A nota de crédito de risco (rating) dos Estados Unidos pode cair mais nos próximos dois anos
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