
As obras estão marcadas para começar em 21 de outubro e, de acordo com Carvalho, caso o consórcio seja homologado como vencedor, o prazo será cumprido. “Se não houver nenhum embaraço jurídico, será possível começar nesta data”, acredita o executivo. Sobre a possibilidade de não ser o vencedor, Carvalho entende ser apenas uma chance remota. O consórcio fez a proposta de R$ 222,59 milhões, o menor entre as oito concorrentes. O valor é 6,4% inferior à estimativa da Infraero, de R$ 237,8 milhões.
O grupo já executou obras em outros três aeroportos: Natal (RN), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). “Confins é uma situação que chama a atenção, pois é o de maior porte e de maior densidade”, afirma Carvalho. O nó da questão é que enquanto o terminal 1 será reformado – com previsão de conclusão para 30 de dezembro de 2013 –, o módulo operacional provisório, já chamado de puxadinho, com capacidade para 4,8 milhões de passageiros/ano, ainda não tem projeto, nem foi licitado. Mesmo assim, a Infraero prevê a conclusão em novembro do ano que vem. Com isso, os passageiros terão que enfrentar as obras do terminal 1 durante mais de um ano, sem um substituto. Ressalta-se que o terminal, com capacidade para 5 milhões de passageiros/ano já está saturado e que, somente em 2010, passaram por lá 7,2 milhões de usuários. O puxadinho será construído entre o terminal de cargas e o hangar de operações da Gol.
Tanto a Marquise quanto a Normatel são empresas cearenses. A maior parte do investimento caberá à construtora, enquanto a Normatel ficará por conta das instalações eletromecânicas, especialidade da empresa. A Marquise, segundo Carvalho, tem faturamento médio de R$ 600 milhões ao ano. A principal obra executada pela empresa é o porto de Pecém, no Ceará, um contrato de R$ 380 milhões.
Controvérsia
A capacidade do terminal 1, aliás, é motivo de polêmica. Depois de muitos anos considerando a capacidade de 5 milhões de passageiros/ano, a Infraero afirma agora que a capacidade pode variar entre 6,78 milhões e 10,4 milhões de passageiros/ano. A mudança se deve a uma série de fatores, que consideram o fluxo nos horários de pico em diversos momentos do dia. Para o subsecretário de Investimentos Estratégicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Luiz Anthonio Athayde, a capacidade do aeroporto sempre foi de 5 milhões de passageiros/ano. “O que mais o governo teme é que o puxadinho fique definitivo. É o contrário de todo o planejamento que temos para o aeroporto.
Na análise do professor da Fundação Dom Cabral, com pós-doutorado em transportes aeroportuários no Canadá, Hugo Ferreira Braga Tadeu, se a aviação brasileira crescer 12% ao ano, seria necessário que Confins duplicassee sua capacidade. Para Tadeu, o puxadinho é uma medida provisória, mas não resolve os problemas estruturais de Confins.
